Gabriel Augusto Resende
Neste domingo (9), será realizada a segunda edição do “Sarau Astral”, no Centro Cultural Feminino, a partir das 16h. Idealizado pelo trio de artistas João Lara, Camilla Gomes e Alice Assoviei, o evento traz um espaço voltado para o acolhimento e a reverberação da arte autoral em São João del Rei em suas diversas formas de expressão.
Em entrevista compartilhada concedida ao Notícias del-Rei, o trio aponta que a ideia do evento é “criar um encontro para se presenciar, sentir e expressar. Um lugar no qual a gente de fato esteja presente e veja o que está sendo apresentado e sinta, se deixe ser atravessado, ser permeado pela arte do outro, pela experiência. E também se expresse, porque esse espaço é um convite para que as pessoas se expressem, através de algo que esteja escrevendo, uma música que compôs, uma coreografia que criou, um artesanato ou qualquer outro processo criativo”.
Como surgiu o projeto?
Sobre o surgimento do “Sarau Astral”, João, Camilla e Alice contam que esse projeto foi idealizado diante da necessidade de se criar um espaço dedicado à divulgação, ao compartilhamento e à expressão e à valorização da arte autoral de São João. “Vemos artistas trabalhando em bares e eventos de terceiros, espaços que às vezes não os representam”, refletem.
O processo de elaboração e organização do Sarau, segundo eles, “foi uma coisa muito orgânica e fluida entre nós três. Tirar as ideias foi bem simples, parecia que um complementava o outro. Foi um processo bastante harmonioso. O desafio para organizar e implementar o ‘Sarau Astral’ foi a falta de recursos financeiros. É complicado você convidar artistas, que são trabalhadores, para participar de forma voluntária, como foi o caso da primeira edição”.
Eles apontam sobre a visão que outras pessoas têm do trabalho dos artistas em geral e sobre o preconceito sofrido pelos mesmos. “É importante valorizar os profissionais da arte e da cultura, porque muitas vezes o trabalho deles é confundido com diversão, é um estigma. A arte tem muitas funções para a existência e a manutenção de uma comunidade saudável”, complementam.
A importância social do projeto
O trio relembra que a primeira edição foi feita de uma forma bem caseira e artesanal, o que ajudou a criar uma atmosfera de conforto e acolhimento e explorou muito bem a diversidade e a integração.
“A gente entende que a arte autoral é um pouco marginalizada ao longo da história e na cultura atual e sente a necessidade de criar um clima de conforto para que as expressões aconteçam de forma fluida e positiva. Nessa segunda edição, a gente já tem uma organização bem mais ampliada e um espaço próprio. A gente sente que o projeto está com a mesma energia e os mesmos valores, e agora em um espaço que facilita mais o fluxo dos eventos”, garantem.
Eles finalizam: “nós entendemos que valorizar a arte autoral é valorizar a cultura e a expressão individual e coletiva de uma comunidade, de um tempo, de um país. É imprescindível que isso aconteça, para a oxigenação dos artistas, das produções que às vezes vão sendo engavetadas por falta de espaço e possibilidades“.
Para todos eles, “o ponto central é colocar os artistas num lugar de escuta, de presença, de atenção para que eles possam expressar o que eles estão construindo e compreender juntos, sentimentalmente e intelectualmente, a época em que a gente vive. Tudo isso é importante e é consequência de uma produção artística de qualidade, distribuída com cuidado e profissionalismo.”
O show continua, mas precisa do público
Um ponto muito defendido por todos os entrevistados foi a importância de uma maior cobertura jornalística para esse tipo de iniciativa artística. “É de uma importância central, e nós entendemos que nada acontece sem divulgação e sem distribuição da informação e a cobertura jornalística traz o contorno geral de quais são as ideias e as organiza para que o público entenda a proposta do evento e para que o mesmo tenha mais visibilidade. Inclusive ajuda na própria organização intelectual e favorece a conexão com novos públicos e a sedimentação com aqueles que já acompanham o evento”.
Além da cobertura, o sucesso interno também é essencial para aumentar os recursos para as próximas edições, bem como para conquistar um público mais amplo e diversificado.
Quanto à edição deste domingo, o sentimento geral é de alegria e muito entusiasmo. “Estamos muito animados e trabalhando muito, organizando o espaço e cuidando de todos os detalhes. Com a aprovação do projeto pela lei Paulo Gustavo, que incentiva a cultura municipal, nós estamos cum um planejamento já organizado há mais de um ano e vamos ter novidades, como a exposição de artistas visuais da fotografia e do artesanato, uma artista instrumental. Nós continuamos com as canções autorais, nosso carro-chefe, e teremos pintura ao vivo. Estamos felizes com a caminhada e cheios de expectativa”.
Por fim, eles reiteram a grande premissa do “Sarau Astral” e chamam o público para participar junto com eles. “O Sarau Astral é um evento de multilinguagens e livre expressão de artistas da região, é um espaço democrático para que os artistas possam expressar sua arte de diferentes formas. Estamos na expectativa de promover encontros alegres neste domingo, dia 9, a partir das 16h no Centro Cultural Feminino. Simbora!”
Imagem de destaque: Gabi Pessanha / divulgação
Edição: Arthur Raposo Gomes
