Erick Azevedo, Felipe Rocha e Rafael Alonso
“Eu não gosto de pensar como seria minha vida sem música”, afirma Conceição Aparecida de Souza Silva, de 57 anos, professora de coral e percepção do conservatório de música de São João del-Rei, ditando o tom que leva a vida.
Vida e Formação Acadêmica
Conceição nasceu numa família muito pobre. O pai e a mãe vieram de um segundo casamento e tiveram cinco filhos. A família passou muitas necessidades, tendo que ir morar na casa da avó perto de um rio, e sempre que chovia tinha enchente na casa. “Roupas a gente sempre usava ganhada, dos outros ou uma madrinha que era costureira fazia pra gente, quase não tínhamos chinelos para usar. Meu pai era um homem muito rude, não podíamos responder , sempre tinha que obedecer ele”, narra.
“Com isso sempre fui uma menina tímida. Tinha um sonho em fazer balé, mas minha mãe não tinha condições de pagar as aulas de balé, então fui trabalhar de babá para ajudar em casa desde nova”, finaliza.
A paixão pela música desde a adolescência, veio de um tio, que tocava acordeão. Assim, decidiu iniciar seus estudos em 1989 no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier. Em 1992, se formou no Magistério de Educação Artística, onde seguiu especializando-se e, em 1997, formou técnica em flauta doce. No ano seguinte, foi a vez de obter formação técnica em flauta transversal. Em 2008 se formou no Magistério superior na UNIPTAN e em 2009 ingressou no curso de Música da UFSJ, formando-se em 2013. Conceição ainda possui duas pós-graduações: uma em Educação Musical e outra Inclusão Musical.
Atualmente, Conceição é casada – o marido também é musicista. Essa união gerou duas filhas: Sarah e Bárbara, que também estão se interessando pelos passos da mãe.
Perguntada sobre sua preferência musical, ela diz gostar de músicas clássicas, como Vivaldi e Beethoven. Para Conceição, esse tipo de música é singular em relação às outras. “Elas me trazem uma sensação de encantamento. Quando eu estou ouvindo uma música clássica, eu começo a enxergar as coisas de uma outra maneira, eu começo a prestar atenção na natureza. Isso me acalma, me traz tranquilidade”, afirma, inspirada. A música, portanto, seria sua vida.
Conceição afirma que se trata do que ela escolheu para sua vida e a missão que Deus a concedeu, mas também não só para si, mas de modo a integrar também as outras pessoas à prática musical. “Imagina um mundo sem música, sem nada, totalmente sem graça”, provoca.
A Professora Conceição
Já em 1997, Conceição começou a dar aula no mesmo local onde aprendera tudo sobre o que mais ama na vida: a música. A habilitação em flauta doce abriu as portas na instituição e ela aproveitou a oportunidade e logo após já mesclava suas aulas entre flauta doce e teoria musical. Além de lecionar no Conservatório, também se engajou em projetos fora da escola, como o coral da Paróquia Bom Senhor Jesus de Matosinhos.
Conceição também trabalha num projeto de inclusão musical para pessoas com deficiência e necessidades especiais, juntamente com sua amiga, Vicência Ilma, professora de violão da instituição. A iniciativa começou com 18 aulas por semana e, com o passar do tempo, sofreu reduções. Atualmente, os 18 alunos envolvidos assistem somente a seis aulas por semana.
Além de atividades que trabalham a coordenação motora como recortar, dobrar, colorir, pintar, os alunos podem tocar qualquer tipo de instrumento que quiserem. “A gente respeita o limite de cada um, que faz o que dá conta, o que é legal para ele”. Mais que aprender música, a importância do projeto é muito maior: promover a socialização. Aqui, o mais importante para nós é eles estarem felizes e fazendo alguma coisa”, reflete. Por fim, ela celebra ao dizer que o projeto é um sonho que ela realizou.
Transformação de Vidas
A música é capaz de transformar vidas, como é o caso de Conceição, que se considerava uma pessoa tímida e reservada e percebeu que o contato com os alunos modificou isso. “Eu acho muito importante esse contato, de estar com as pessoas, principalmente quando elas falam para mim que amam ver minhas aulas e que eu as trago alegria – então eu acho que minha filosofia principal é essa, estar ajudando as pessoas e estar fazendo elas serem felizes”, argumenta.
Mas não só Conceição percebeu essa mudança em si, como notou nas pessoas também. “Eu acho que se todas as pessoas tivessem um pouco, fossem influenciadas na música, eu acho que ajudaria muito as pessoas, até no emocional da pessoa, não só no emocional não, acho que na vida diária, acho que a música ajuda muito”, finaliza.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Suporte: Bruno Nézio
Imagem de destaque: Erick Azevedo
