EQUIPE TREM KI VOA MICRO FALA SOBRE SUAS EXPECTATIVAS PARA O SAE BRASIL AERODESIGN 2024

Ana Cláudia Almeida e Vitor Ramiro

“Apesar de ser a parte mais técnica da competição, lá também é uma coisa linda, uma coisa maravilhosa. (…) Lá você tem contato com muita gente importante que no final pode te indicar para um estágio ou te mostrar a oportunidade da vida. Lá tem vários patrocinadores que dão palestras, que ensinam como conseguir uma boa carreira. (…) lá é um mundo!”. Essas são as palavras do estudante Enrico Costa Magalhães ao definir a próxima etapa do principal campeonato nacional universitário de aerodesign. Em entrevista exclusiva à reportagem, um dos capitães da equipe Trem Ki Voa Micro falou sobre todos os preparativos e momentos de tensão e ansiedade que antecedem o aguardado SAE Brasil.

Parte da equipe do TKVm junto da aeronave Úrsula na produção do vídeo de voo. (Foto: Reprodução/Trem Ki Voa Micro)

Derivado do programa de extensão dos cursos de exatas da UFSJ, o projeto Trem Ki Voa Micro (TKVm) surgiu visando aprimorar o conhecimento para o exercício da engenharia. Há quinze anos sendo um equipe focada na prática do aerodesign e no contato com metodologias e dispositivos utilizados no setor aeroespacial, seus antigos e atuais integrantes colecionam experiências únicas e reais que enriquecem bastante seus currículos. Aos 17 anos, Enrico Magalhães saiu de Barbacena para cursar engenharia elétrica e, em sua primeira visita ao Campus, teve contato com o trabalho desenvolvido pela TKVm. Ainda incerto de sua escolha pela engenharia e totalmente leigo no universo da aeronáutica, se permitiu explorar a faculdade e hoje ama o que faz. “Eu gostei bastante da ideia do projeto. Eu não tinha esse pensamento de que eu gostava de aeronáutica, de aerodesign e tal. (…) Já é meu terceiro ano na equipe e eu descobri que uma das coisas que mais amo na vida é aeronáutica, sabe? Aerodesign foi uma coisa maravilhosa e até me ajudou a seguir na engenharia elétrica.”, conta.

SAE Brasil AeroDesign

Segundo explicação do universitário, todas as extensões das engenharias têm uma competição específica para participar. No caso da TKVm trata-se da Competição SAE BRASIL de AeroDesign, que já está em sua 26a edição este ano. Enrico detalha o processo classificatório organizado em três etapas avaliativas, cujo júri é composto por profissionais e especialistas da área: “A primeira fase, que foi neste sábado (19), é a apresentação oral com um resumo de todo o nosso projeto em um vídeo de 15 minutos com slides, depois com mais 15 minutos de perguntas. (…) Depois tem a fase de relatório, que a gente já fez mas não tem a nota ainda. Representa metade da competição e é a fase que montamos um relatório completo sobre toda a nossa aeronave. (…) E a outra parte é a da competição. Tem a classe Micro, que no caso é a nossa, a regular para quem está se formando na graduação, e tem a classe Advanced, que é para a galera que está fazendo mestrado.”

Agendada para os dias 30 de outubro a 03 de novembro, a terceira e última etapa do campeonato nacional costuma reunir anualmente, em São José dos Campos (SP), diversas equipes universitárias empenhadas em finalizar seu projeto aeronáutico, colocando-o em ação cumprindo um rígido regulamento. Para a categoria da TKVm, o objetivo é, em cinco minutos, montar um pequeno e leve veículo aéreo não tripulado (VANT), fazer ele decolar de uma mesa de 4 metros de altura transportando o máximo de carga possível, e depois desmontá-lo para guardar em uma caixa com dimensões específicas. Em suma, mediante cooperação e colaboração de 30 alunos organizados e orientados pelo professor Cláudio Pellegrini, o êxito nesta missão tem grandes chances de ser alcançado novamente. A Trem Ki Voa, vale salientar, apresenta um longo e vitorioso histórico em campeonatos. Desde 2012, ano da primeira conquista, já foram obtidos 4 troféus de primeiro lugar e 2 de segundo no SAE Brasil, além de ter tido duas participações no torneio mundial SAE AeroDesign EAST (2015 e 2022), ficando na segunda colocação em uma delas.

Equipes universitárias de todo o Brasil se reúnem em São José dos Campos para a última fase da competição. (Foto: Reprodução/SAE Brasil)

Úrsula 2024

Tal retrospecto positivo e o esforço de todos os membros na arrecadação de fundos para materiais de qualidade justificam a empolgação da TKVm nessas últimas semanas. Enrico relata que cerca de seis meses de planejamento e um de montagem, através de inúmeras reuniões entre os setores, discussões técnicas e testes na oficina, resultaram no projeto final deste ano. O Úrsula 2024, apresentado em setembro com grandes expectativas, foi elaborado seguindo alterações nas regras da competição e buscando aperfeiçoar o desempenho do ano anterior.

“A gente não tem só uma aeronave. É um projeto só para o curso, a gente vai com três para competição. Durante todo ano, para testar, a gente vai fazendo vários protótipos. (…) E a equipe inteira – vou falar pela equipe inteira – está muito animada. A gente acredita muito que fizemos um projeto bastante competitivo. A gente trabalhou bastante nisso durante todo ano, batendo bastante nessa tecla. (…) A minha expectativa é que a gente pegue o top 3. A gente teve a primeira etapa da apresentação que acreditamos ter ido bem, então já dá um gás a mais, a equipe está bem feliz.”, diz.

Aeronave Úrsula, aposta do TKVm para a competição de 2024. (Foto: Reprodução/Trem Ki Voa Micro)

Convite à comunidade acadêmica

Além da competição, a equipe se organiza também para o Fly Out, evento promovido pela própria TKVm que ocorrerá no dia 27 de outubro às 9h no anfiteatro do Campus Santo Antônio. O evento é aberto ao público e focado principalmente na apresentação da aeronave Úrsula e na trajetória da equipe durante o ano. Dessa forma, a equipe consegue olhar para a própria evolução, criando uma atmosfera ainda mais competitiva e assertiva para a fase final em São Paulo.

Em novembro, em um contexto mais calmo após o Fly Out e o SAE Brasil, o foco da equipe mudará. Com o encerramento da atual gestão e possível mudança de cargos, um espaço na equipe será aberto. Algumas vagas disponíveis serão preenchidas através do processo seletivo 2024.2,  que se encerra em 1 de novembro.

Além de convidar novos membros ao grupo, o processo terá o dever também de balancear o mesmo, ou seja, analisar e organizar os seus oito setores (Aerodinâmica; Cargas e aeroelasticidade; Desempenho; Estabilidade e controle; Estruturas e ensaios estruturais; Capitania e engenharia de produto; Projeto Elétrico e Safety Assessment; Simulação e CAD). Enrico comenta que não apenas alunos dos cursos de engenharia da universidade, o projeto aceita também graduandos de Jornalismo, Administração, Ciência da Computação e Economia: “As vagas são bem variáveis e, para esse ano, umas 10 pessoas devem passar neste processo seletivo”.

Composto por várias etapas, o processo seletivo costuma ser focado principalmente na análise das pessoas com relação ao trabalho em grupo: “A primeira etapa é a que a gente entrevista a pessoa, a gente preza muito não só as capacidades técnicas, mas o geral. A gente tem uma necessidade de lidar com pessoas, humor, tudo leva em conta. (…) A gente tenta analisar a pessoa como se fosse papel em branco”. Dessa forma, alinhado com dinâmicas em grupo, o processo define os selecionados que entrarão na equipe como estagiários.

A partir disso, o novato fica maior parte do tempo encarregado de estudar, se informar e fazer apresentações recorrentes sobre aerodesign. A TKVm acredita fortemente na necessidade de todos os membros, independente da área de atuação, entenderem todo o processo de construção da aeronave e da competição para, assim, poder auxiliar da melhor forma possível em toda a trajetória. Depois , já efetivado, o calouro se torna membro oficial da Trem Ki Voa Micro e recebe gradualmente mais responsabilidades e funções dentro do projeto.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: Reprodução/SAE Brasil

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