Gabriel Augusto Resende, João Victor Coimbra,
Jhonatan Marques, Laryssa Moreira e Suzana Andrade *
São João del-Rei, uma cidade histórica e com grande influência da cultura barroca, chama atenção em sua quantidade de igrejas católicas. Essa predominância deixa explícita a influência dessa religião na região e justifica o fato de que a maioria de sua população é católica. Mas, afinal: como fica a relação para com as outras religiões presentes na cidade?
Segundo pesquisa exclusiva obtida pelo Notícias del-Rei, cerca de 61% dos cidadãos são-joanenses se identificam e se apresentam como católicos. Isso confirma o pressuposto vinculado à predominância do catolicismo na cidade, embora outras religiões e crenças tenham sido identificadas. Em segundo lugar aparecem os evangélicos, com cerca de 17,8%. Cerca de 10% afirma não ter religião, enquanto 5,8% falam que são espíritas, 3,17% outras religiões e 0,98% matriz africana.
Os evangélicos, como segunda maior religião dentro de São João, possuem uma relação de respeito com o catolicismo, embora tenham sim suas diferenças, principalmente na forma de enxergar a realidade e os princípios cristãos.
O pastor Luiz Cláudio, ao comentar sobre o assunto, diz que “apesar de algumas divergências sobre questões do Evangelho, os dois lados mantêm boas relações, com cultos ecumênicos frequentes entre ambos. Mesmo que não haja acordo total sobre certos aspectos, como tradições e também interpretações dos dogmas do cristianismo, o que não se pode faltar é o respeito mútuo e a boa convivência“.
Em entrevista, José Paulino, que frequenta uma igreja evangélica da cidade, também compartilha seu ponto de vista em relação à situação. Ele esclarece que, embora tenha preceitos tão próximos do catolicismo, percebe um certo preconceito por parte de alguns evangélicos e católicos, principalmente os mais velhos, baseado em julgamentos alimentados por medo do desconhecido e de uma hipotética mudança na predominância religiosa.
Ao ser perguntado sobre qual sugestão ele daria para melhorar a convivência religiosa na cidade, José diz: “creio que o conhecimento sobre a sua religião tem que ser importante para ter uma boa relação entre praticantes de diferentes religiões. Além disso, não é nada saudável resumir a sua escolha a algum tipo de preconceito, porque isso não engrandece ninguém, só demonstra o seu medo do diferente”.
A umbanda se apresenta, de acordo com a pesquisa, como minoria dentro da cidade, isso acaba acarretando algumas dificuldades para as pessoas que participam da mesma. Júpiter Porã, morador de São João há sete anos e fiel à religião há mais ou menos um ano, relata suas vivências e aponta alguns empecilhos.
Júpiter faz uma análise, na qual, segundo o mesmo, os umbandistas são menosprezados, invisibilizados na sociedade e a sua religião é invalidada, sendo que “a maioria das pessoas que frequentam o terreiro, ou são pessoas de comunidade ou que vieram de outras cidades”.
Ele cita a dificuldade de manter terreiros em São João, argumentando que algumas pessoas “fazem de tudo para fechá-los, não gostam da nossa presença ali e isso nos impacta muito, já que exercer a função da religião fora dos terreiros é muito difícil, pois há muito preconceito.”
Sobre os possíveis preconceitos sofridos por ser da umbanda, Júpiter afirma que nunca sofreu nenhum preconceito direto, mas que “olhares tortos” são frequentes. “Ser da umbanda gera um certo “medo” nas outras pessoas, acham que é uma religião do demônio, que vamos fazer macumba contra eles“, aponta.
Por fim, Júpiter não se mostra tão otimista quanto à ligação entre as religiões praticadas em São João del-Rei, e não vê espaços para que isso possa acontecer.
“Existe uma grande disputa de poder, até entre os terreiros, é uma segregação muito forte, não há união.” E, sobre a sensação de ser um umbandista em São João, não faz uma avaliação positiva: “me sinto acolhido dentro da religião, mas a cidade não me acolhe”, finaliza.
* Colaboração à reportagem: Arthur Raposo Gomes
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: arquivo pessoal
