Deogracia Freitas Goleng, Judit Barros De Orleans Amaral,
Maria Eduarda Rodrigues e Lucas Chaves
Localizada na região central do estado de Minas Gerais, na histórica cidade de São João del-Rei, o som dos sinos que ecoam das igrejas tem um significado especial, carregando a tradição e a cultura local através dos tempos. Devido a sua grande quantidade de sinos, o município mineiro recebeu a alcunha de “Cidade dos Sinos”.
E assim, cada sino emite um tipo de som específico, e seu ritmo e badalar estão relacionados a eventos específicos como missas, velórios, festas tradicionais, dentre outras ocasiões. Para sinalizar o falecimento de alguém, o toque é mais lento e profundo, destacando-se das demais badaladas. Dessa forma, cada som representa um acontecimento na cidade, trazendo uma linguagem própria dos sinos.
Visando preservar a história dos sinos do município, um museu específico para falar sobre os sinos foi criado.
Museu dos Sinos
Em 2019, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no centro histórico de São João del-Rei, foi inaugurado o primeiro museu dos sinos no Brasil. O espaço funciona de segunda a sábado, é aberto ao público e tem uma taxa de entrada de R$10. Estudantes e idosos pagam meia entrada e moradores da região são isentos.
No museu, é possível encontrar a história e as características dos sinos que estão presentes nas igrejas da cidade. Através de textos e formatos multimídias, é apresentado desde a estrutura física dos sinos e seus materiais até informações relacionadas aos diferentes sons emitidos por eles.
E a peça fundamental na construção da história dos sinos em São João del-Rei se encontra na figura daqueles profissionais que fazem com que o sino toque. Os sineiros são os responsáveis pelas badaladas desse instrumento que reverberam por toda à cidade. E é justamente o sineiro da Igreja Nossa Senhora do Carmo, Luiz Fernando de Resende, a pessoa atribuída por receber os visitantes do museu.
A voz que retumba através das mãos
Com um jeito tímido de poucas palavras, mas muita atenção e dedicação. Ao chegar à igreja Nossa Senhora do Carmo, encontra-se Luiz Fernando de Resende, o sineiro da igreja e recepcionista do Museu dos Sinos.

Outorgado sineiro da Igreja Nossa Senhora do Carmo há poucas semanas, Luiz conta que sua história como tocador de sinos começou ainda na infância. Desde de pequeno, ele já gostava de brincar tocando sinos, e se tornar um profissional da área parecia um caminho natural.
O entrevistado compartilha que tocar os sinos representa mais do que um trabalho, é uma forma de manter a tradição da cidade. Em 2014, com apenas 18 anos, Luiz se introduziu na profissão de sineiro. Ele explica que não fez curso, que tudo é aprendido na prática, na própria torre: “a gente aprende na torre mesmo, a gente vai fazendo repetidamente, pega uma coisa e vai treinando também.”
Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os sinos tocam apenas aos domingos, às 7h da manhã e às 17h30. O serviço é voluntário, e os sineiros são geralmente pessoas ligadas à administração da igreja, embora não seja necessário ter uma ligação religiosa para fortificar, como aponta Luiz: “talvez a pessoa nem seja católica, mas gosta da badalada do sino.”
Quando questionado sobre a proteção dos ouvidos, o sineiro da Igreja da Nossa Senhora do Carmo relata que os profissionais usam fones para se proteger, mas que já estão acostumados com o som alto. Luiz admite que por vezes não utiliza equipamentos de proteção individual, tampando seus ouvidos apenas com os dedos. Porém, essa prática de tocar sinos sem proteção não é recomendada por profissionais da saúde.
Impactos que o sino pode causar a saúde auditiva
Segundo o médico Averaldo Júnior, um som alto emitido com frequência pode inclusive gerar a perda da capacidade auditiva.
“Ao longo do tempo, dependendo da constância e intensidade do som, pode provocar perda auditiva induzida por ruído. Para reduzir os impactos é necessário uso de EPI (abafador de ruído ou protetor auricular)”, avalia.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Dávila Martins / arquivo
