ENTENDA O FUNCIONAMENTO E OS OBSTÁCULOS ENFRENTADOS POR MOVIMENTOS ESTUDANTIS EM SÃO JOÃO DEL-REI

Gabriel Leite, Luísa Nicolau
e Maria Luiza Lima

Os movimentos estudantis historicamente desempenham um papel crucial na mobilização e na luta por melhorias sociais, educacionais e políticas. A juventude do país foi a que mais combateu a Ditadura Civil Militar de 1964, dentre eles temos o símbolo da luta estudantil durante o golpe, Edson Luís, assassinado durante o golpe quando tinha apenas 17 anos.

Em São João del-Rei essa tradição continua com estudantes protagonizando movimentos pela luta do direito coletivo dentro das universidades. A greve de servidores da rede federal teve o apoio e incentivo a partir de uma greve estudantil na UFSJ, demonstrando a determinação da juventude pela permanência na universidade e melhores direitos que atravessam os muros da sala de aula. Exploramos as dificuldades enfrentadas por lideranças estudantis na cidade, destacando como elas se organizam e tentam superar os obstáculos que surgem.

Presença nas duas universidades da cidade

A organização dos movimentos estudantis exige planejamento e dedicação. Karoline Andrade, ex-presidente do Diretório Acadêmico Hannah Arendt, do curso de Psicologia do UNIPTAN, compartilha como era feita a organização do seu grupo:

“Nós tínhamos reuniões oficiais toda semana, com duração de três horas. E algumas das vezes, fazíamos reuniões extraordinárias. Levávamos as discussões para a turma e demais períodos semanalmente também, durante os intervalos e trabalhávamos com discussões de grupo,” relata Karoline. Esse formato permitia uma comunicação constante entre os membros, o que é fundamental para o sucesso de qualquer movimento.

Lucas Antunes, estudante de História na UFSJ, tem uma experiência um pouco diferente. Ele revela que se engajou no Levante Popular da Juventude ainda durante o ensino médio, em Contagem.

“Me organizei no levante lá na minha cidade, durante o ensino médio, quando a escola que eu estudava passou pelo processo de ser uma escola cívico-militar,” explica Lucas. Para ele, a organização veio como resposta a um modelo de educação que não refletia os seus ideais, encontrando no Levante um canal para expressar sua visão de mundo.

Manter o engajamento dos membros é outro desafio significativo. Segundo Karoline, uma das estratégias utilizadas pelo Diretório Acadêmico era abordar temas que interessavam diretamente aos estudantes e que, muitas vezes, não estavam contemplados na grade curricular.

“Sempre buscamos assuntos em alta e de desejo dos estudantes… Levávamos essa discussão através dos chamados ‘cafés psicológicos’,” ela comenta. Essas atividades não só atraiam os estudantes, mas também promoviam debates enriquecedores, criando um senso de comunidade.

Lucas, por outro lado, destaca a importância da coletividade e da democracia interna no Levante Popular da Juventude. “Isso só acontece por conta da coletividade que o Levante constrói com as pessoas e pela democracia interna que nos dá capacidade para entender a realidade daquelas pessoas que fazem parte das nossas células e que vivem nas quebradas das cidades,” enfatiza ele.

Para Lucas, a compreensão do contexto social e a luta constante por mudanças são fundamentais para manter o engajamento ativo. Mesmo com todo o esforço, os desafios são constantes. Karoline menciona que, no início, a maior dificuldade era recrutar estudantes comprometidos com o movimento.

“Até alinharmos o diretório com a formação final de integrantes, a nossa maior dificuldade foi recrutar estudantes responsáveis com o movimento,” ela lembra. Além disso, a limitação de recursos financeiros e a falta de apoio institucional tornaram a continuidade das ações mais desafiadoras.

Lucas também reconhece as dificuldades, mas as vê através de uma forma mais ampla, considerando as barreiras impostas pela sociedade capitalista.

“Uma coisa importante a ressaltar é a compreensão do mundo que vivemos, e de termos nossos direitos negados por esse mundo individualista que o capitalismo nos impõe”, afirma ele. Para Lucas, essas dificuldades são parte da luta constante que define o movimento.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: colagem feita pela equipe de reportagem / Todos os direitos reservados – Notícias del-Rei

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