Eduarda Bataglia,
Clara Prado e Carolina Maia
Najla Passos, jornalista de 52 anos é natural de Barbacena – MG, atualmente mora em São João Del-Rei, atua como assessora de comunicação e possui um negócio próprio. Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Najla já transitou por diversas áreas dentro da profissão, como em TV´s, rádio e jornais impressos e digitais.
Nesta entrevista ao Notícias del-Rei, ela conta um pouco sobre a própria caminhada pessoal e profissional.
A graduação
Ela iniciou a formação em Jornalismo também na UFJF em 1990, tendo concluído em 1995. Trabalhou na Empresa Brasileira de Pesquisa da Agropecuária (Embrapa), na Prefeitura de Juiz de Fora e após a conclusão recebeu um convite para trabalhar em Cuiabá, onde obteve diversas oportunidades devido ao mercado crescente da região. Ela residiu na capital do estado de Mato Grosso durante 12 anos.
Após este período, Najla relata que queria vivenciar experiências diferentes. Então, se mudou para Brasília (DF) e ficou por lá durante dez anos. Atuou na área de assessoria e reportagem cobrindo os três poderes do governo: executivo, legislativo e judiciário. “Uma das coisas que mais me marcou foi isso, eu cobri o Governo Dilma!”, afirma.
Durante a entrevista, ela enfatiza a identificação que tinha com a então chefe do Executivo federal por diversos fatores, principalmente pelo fato de ser mãe solo e por ser uma mulher num meio majoritariamente masculino.
“Quando terminou, eu estava esgotada! Não aguentava mais ouvir falar de Brasília… E era aquela época que o pessoal falava assim ‘Não tá gostando? vai pra Cuba!’. Aí eu falei assim, ‘Ah então eu vou’”, relembra. Em Havana, capital cubana, Najla atuou com Jornalismo Colaborativo.
De volta ao país, ela decidiu sair de Brasília, buscando novos ares e fazendo algumas reportagens de maneira independente. Decidiu voltar para Minas Gerais, onde foi professora substituta pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) pelo período de dois anos, ao mesmo tempo que atuou como Consultora de Comunicação da OPAS/ONU para o Conselho Nacional de Saúde “CNS”.
Atualmente, Najla ainda continua morando na cidade com seu negócio próprio, atuando como assessora.
A família
Sobre o início de sua carreira profissional, ela comenta que amaior dificuldade foi viver longe da família pois Cuiabá fica muito longe. “Entrar em uma cultura diferente ainda muito nova, se sentindo sozinha foi um desafio muito grande, mas a curiosidade e a vontade de conhecer mais coisas, de trabalhar no jornalismo foram maior que o medo”, garante.
Najla conta como foi lidar com os desafios da vida profissional e ser mãe solo. “É muito difícil, porque no dia a dia, com dois empregos era eu cuidando do meu filho”, aponta.
Na conversa, ela comenta o quanto uma rede de apoio foi essencial para a criação de seu filho Juan Passos (25 anos, estudante na UFSJ). Ela fala sobre ter aprendido a lidar com os imprevistos da rotina, e que às vezes pedia a vizinhos, amigos para buscarem o filho na escola quando o trabalho apertava. Enfatiza também que já fez muitas dessas ajudas para eles, e brinca chamando de “criação coletiva”.
“Quando eu cobri crime organizado lá (em Mato Grosso) houve algum tipo de preocupação de fazerem alguma coisa com ele…Teve uma época que eu deixei ele com minha mãe alguns meses”, relata.
Em 2017, Najla cobriu e denunciou crimes organizados em MT. À reportagem, ela reflete que foi uma experiência que não faria novamente, por não ter dimensionado o quanto seria arriscado, e para aquele tipo de cobertura o ideal seria uma equipe grande e segurança de apoio. Porém, ela enfatiza sua paixão pelo jornalismo investigativo apesar do ocorrido, e comenta sobre não generalizar este segmento como apenas criminal.
Quando perguntada como é ser mulher no meio jornalístico, Najla diz que apesar da grande maioria de jornalistas serem mulheres, ainda há muito machismo envolvido, além de assédio moral e sexual.
“Eu vi uma pesquisa que fizeram no DF (Distrito Federal) e, nossa, o número de jornalistas que já sofreram assédio assim, é altíssimo. Muito assédio tanto dentro da redação, com os colegas, quanto fora com as fontes que você vai entrevistar”, critica.
É nítido o sentimento dela pelo jornalismo. Na entrevista, Najla reafirma a curiosidade, vontade de conhecer o mundo e novas pessoas como pontos positivos dentro de sua carreira, além de atualmente ter descoberto uma nova paixão em dar aulas e transmitir seus conhecimentos.

Ao ser perguntada em qual conselho daria para os iniciantes da profissão, Najla afirma: “estudem muito! não deixem as pessoas te ludibriar sabe? Fazer pouco caso de sua inteligência. Saibam onde você está pisando”. ”Se agarrem nos estágios! O que der pra fazer realize”, completa.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: arquivo pessoal
