JAIRO FARIA OU JAIRO FARÁ? CONHEÇA O PROFESSOR, JORNALISTA, ESCRITOR E POETA

Clara Lages, Magno Jr., Maiara Maia
Maria Eduarda Lima e Marina Pedocchi

Na noite de uma sexta-feira, Jairo recebeu a reportagem para contar detalhes sobre sua história de vida. A entrevista aconteceu em seu gabinete, localizado no Campus Tancredo Neves da Universidade Federal de São João del-Rei (CTAN UFSJ) rodeado de arte autorais que remetem não só a sua carreira, mas também a boas lembranças.

Nascido em Curitiba


Jairo Faria Mendes tem 56 anos, é jornalista, escritor, poeta e professor na Universidade Federal de São João del-Rei. Nascido em Curitiba, na região sul do país, com apenas seis anos, ele se mudou para a capital mineira, Belo Horizonte, onde, anos depois, iniciou seus estudos universitários.

Ele relata a importância de sua família e como seus pais carismáticos o inspiraram: Jairo os mencionam como “pessoas que amavam muito a vida”. “Meu pai, ele dava uma volta no quarteirão e todo mundo ficava amigo dele”, conta o poeta. 

Jairo se descreve como alguém que vê beleza em coisas simples, muito voltado para as relações humanas e para a busca do conhecimento. “Tenho uma maneira de pensar e ser que lembra muito algumas pessoas, como Manoel de Barros, uma pessoa que está preocupado com as formigas e não com os deuses”.

Em seu tempo livre, costuma se encontrar com amigos para conversar, principalmente sobre cultura, arte e literatura, gosta de eventos culturais, passeios em meio a natureza. Jairo sonha com uma vida regada a momentos bons, estar bem com si mesmo, cercado de boas pessoas e viver em paz.

A caminhada acadêmica: onde tudo começou

Jairo iniciou sua trajetória acadêmica no curso de Engenharia Civil, onde permaneceu por um ano. Durante esse período, sentiu-se perdido, sem saber qual caminho seguir. A virada aconteceu quando um amigo, que trabalhava em um jornal, o inspirou a explorar o campo do jornalismo. Como um bom leitor de poemas, revistas de humor e do icônico Jornal Pasquim, encontrou na comunicação a sua verdadeira vocação.

Formado aos 22 anos, ele concluiu seu mestrado em Comunicação no Rio de Janeiro em 1997. Movido por uma sede de conhecimento, embarcou em uma nova jornada acadêmica. Fez seu doutorado na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e o pós-doutorado na Universidade de Coimbra: “fiquei muitos anos na universidade, ocupou bastante tempo da vida”, relata ele.

Relembrando a vida de estudante, Jairo conta que o prédio no qual estudava, tinha uma tradição de ser um lugar de muita liberdade, com professores muito provocativos e um dia a dia muito divertido. Ele e os amigos costumavam frequentar o “Bar do Gordo”, onde jogavam sinuca e trocavam ideias.

Quando perguntado sobre o que o inspirou a seguir a carreira de jornalista, Jairo destaca a importância dos movimentos políticos e culturais. Ele também menciona que trabalhar com a palavra está ligado à sua personalidade.

Para ele, o jornalismo sempre foi uma extensão natural de sua vida: “eu sempre pensei em uma profissão que fosse a extensão da minha vida. No jornalismo, eu via isso. Você está presente nos acontecimentos, convivendo com as pessoas, integrado à cidade”.

No jornalismo e na docência

Jairo relata que o desejo de se tornar professor veio ainda cursando jornalismo, uma escolha que na época era mais complicada que o habitual, uma vez que não havia mestrado em Minas Gerais. Dentre outros caminhos, a escolha veio a partir da liberdade e possibilidade de pensar que o ensino nos oferece.

“O ambiente acadêmico tem ligação com o meu perfil, eu gosto desse contato com as pessoas, das reflexões, boas conversas”, reflete.


O jornalista também revela que durante toda sua trajetória, não ter ambição foi a forma que encontrou para lidar bem com as coisas, sendo esse um dos traços de sua personalidade: “eu era aquela pessoa que imaginava que iria ser um fracassado na vida, não tinha muita ambição”. Dessa forma, Jairo absteve-se de enfrentar grandes desafios na jornada profissional e precisava lidar apenas com as chamadas ‘questões da vida’.


Quando questionado qual feito profissional teria mais orgulho, Jairo citou uma de suas obras publicadas: o livro “Minas Impressas”. Lançada em 2023, a obra conta a história da imprensa mineira, desde a participação dos mineiros na imprensa portuguesa no período colonial ao tardio desenvolvimento dos jornais mineiros. Para ele, a produção teve uma grande importância não só na questão acadêmica, não só para o jornalismo, mas também como para a história.

Poeta e artista: Jairo Fará


Além de um grande escritor e jornalista, Jairo também se destaca na área artística. Poeta desde a adolescência, Jairo conta que, para ele, a poesia é o que o ajuda a encontrar o sentido e a cor da vida, desbravando seu lado humano.

“Graças a poesia eu consigo sentir as coisas de uma maneira diferente. Os melhores encontros que tive na vida foram por conta da poesia”, afirma ao Notícias del-Rei.

As inspirações para a criação das obras surgem de forma espontânea, onde o artista segue seu processo de criação e deixa fluir. Muitas delas por meio de sonhos, como por exemplo o livro infantil “Cidadezinha Biruta”, escrito e ilustrado por Jairo: “fiquei em dúvida se eu acordava para escrever ou se continuava dormindo. Ainda bem que acordei”, brinca.

Durante sua trajetória, Jairo aderiu a um nome artístico que utiliza para assinar todas suas obras: Jairo Fará. Questionado da origem, o artista explica que utiliza como uma jogada de humor, onde por muitas vezes na infância fizeram-lhe jogos de linguagem com seu sobrenome de registro. “Faria é algo que remete ao passado, Fará remete mais ao futuro”.


E com essa assinatura, o artista ficou reconhecido, tendo uma de suas obras publicadas na “Folha de São Paulo”, “O Poemaço”, que consiste em um maço de “poemas”.

Descobrindo um pouco mais…

Jairo teve uma participação significativa com o evento “Psiu Poético”, destacando-se por diversas homenagens e participações ao longo dos anos. 

No 33° “Psiu Poético”, ele recebeu uma homenagem, sendo reconhecido por sua contribuição à cultura e à poesia. Participou três vezes do evento, sendo uma delas a convite da Universidade de Montes Claros (Unimontes).

Uma de suas participações rendeu-lhe “uns dos melhores momentos da minha vida”, segundo suas próprias palavras.

Ao ser perguntado sobre qual a motivação para continuar como educador, Jairo cita um pensamento de Paulo Freire: “Quem já sabe não ensina”, afirmando que sua motivação é continuar aprendendo.

Para os estudantes, ele deixa um conselho: “Viver cada experiência […] Mais importante do que a chegada é o caminhar”. E, para a sua caminhada, Jairo deseja cultivar bons amigos e deixar um bom legado escrito, como livros que serão realmente úteis. 


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: Maiara Maia

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