Ana Clara Messias
Carmópolis, seu hino diz: “Nós te saudamos bela e hospitaleira / Cidade encanto orgulho sem igual…” e como encanta…
Escrever sobre Carmópolis é um fato engraçado na minha vida. E isso tem um motivo. Nasci em Carmópolis, porém, meus quatro primeiros anos de vida foram na cidade que fui registrada, na cidade vizinha, terra de minha mãe e de toda minha família materna, em uma cidade chamada Passa Tempo.
Era vizinha de meus avós e tinha colegas de escola, que claro, hoje não me lembro. O fato engraçado de eu querer escrever sobre Carmópolis é porque, pelo menos até meus 10 ou 11 anos de idade, eu odiava essa cidade. Motivo? Eu ser uma criança que não entendia o porque eu tinha que me mudar para outra cidade, sendo que a gente já tinha tudo que precisava. Pelo menos era o que eu pensava.
Considerada a terra do tomate – o que faz total sentido, já que nunca comi um tomate melhor do que de lá – Carmópolis foi me conquistando de pouco a pouco. Comecei conhecendo pessoas e fazendo amizades, ainda bem criança.
Durante esses anos morei em outras duas cidades, porém, por pouco tempo. Mas, sempre voltava pra Carmópolis. Eu só fui perceber que já estava apegada aquela cidade quando comecei a falar que era uma cidadã carmopolitana (o que para meu “eu criança” seria uma grande ofensa), mas para meu “eu adolescente” fazia total sentido. Eu conhecia todo mundo, tinha amigos, me sentia em casa e como qualquer cidadão carmopolitano, reclamava da cidade. Porque não me consideraria carmopolitana?
Eu amava minha escola do fundamental, falar que estudei no Lygia Vaz, lugar onde fui rainha da pipoca (um título muito importante obviamente) eram motivos de orgulho pra mim. Meu último ano do fundamental e meu primeiro ano no ensino médio foram durante a pandemia.
No Ensino Médio, a escola era diferente, porém as pessoas eram as mesmas, (porque em cidade pequena se tiver mais de uma escola de nível médio do ensino público eu nem considero cidade pequena).
Acho que toda pessoa que nasce e cresce em uma cidade do interior, tem o pensamento: “eu não aguento mais essa cidade”; “preciso ver gente nova, conhecer lugares novos”; pelo menos muitas pessoas que eu conheço são assim, e eu sou uma delas.
Fui perceber o tanto que eu amava essa cidade quando os dias de começar as aulas da faculdade foram chegando. Agora estou eu São João del-Rei, cursando Jornalismo, e com o sentimento de só querer minha casa, meu Carmópolis.
Sair de lá foi essencial para eu descobrir o quão apegada as minhas coisas e as pessoas que eu amo, antes não tinha essa noção.
Agora, já mais crescida, percebi que minha ligação com meus amigos e família estava mais forte. Nos dias que antecederam a minha mudança para São João del-Rei, esse sentimento foi ficando cada vez mais visível. E aproveitei ao máximo.
Aí vocês me perguntam: “Como você aproveitou seus últimos dias lá sendo que não tinha nada para fazer?” Bom, eu aproveitei do jeito que eu gosto: sentando na pracinha falando besteira e bebendo com meus amigos, indo aos mesmos bares de sempre e passando mais tempo com minha família.
Porque foi nesses últimos dias em casa que percebi que não importava os lugares que eu saía, mas, sim as companhias que estivessem comigo, companhias que, Carmópolis me presenteou.
Quando finalmente entendi isso, percebi que Carmópolis sempre foi e sempre será minha casa.
Não importa a distância, não importa eu ter que ir aos mesmos lugares de sempre e ver as mesmas pessoas, o importante é estar com quem se ama e no lugar que você ama.
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Imagem de destaque: reprodução – Facebook/ Carmópolis de Minas MG – A Nossa Cidade
