ARTIGO: O VÍCIO DAS REDES SOCIAIS E VÍDEOS CURTOS – UM DESAFIO CONTEMPORÂNEO

Jakeline Kelemm Azevedo Santos

Um estudo realizado por pesquisadores de Psicologia da Universidade de Zhejiang, na China, em 2021, concluiu que o consumo de vídeos curtos está relacionado à ativação de áreas cerebrais normalmente acionadas durante a realização de atividades altamente viciantes.

Vídeos curtos e acelerados, popularizados por plataformas como o TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, vem conquistando a atenção de milhões de usuários no mundo inteiro. Esses vídeos, geralmente com duração de 15 a 60 segundos, são produzidos para prender a atenção do usuário imediatamente, oferecendo entretenimento rápido e fácil de consumir. Essa forma de conteúdo tornou-se um fenômeno cultural, especialmente entre os jovens, transformando a maneira como consumimos mídia e nos relacionamos com o mundo digital.

Logo, o consumo excessivo de vídeos curtos e acelerados está se tornando um vício preocupante, com efeitos significativos na saúde mental e no comportamento social das pessoas.

Recompensa Imediata

Os vídeos curtos oferecem uma gratificação instantânea. Uma pequena dose de dopamina é liberada a cada visualização, o que proporciona prazer ao usuário, e consequentemente, o desejo de consumir mais.

Ciclo Vicioso

Os algoritmos das plataformas de redes sociais atuam como protagonistas na manutenção desse ciclo vicioso. Eles são criados para aprender com o comportamento dos usuários, oferecendo cada vez mais conteúdo personalizado. E essa é uma refinação constante, quanto mais tempo o usuário passa assistindo vídeos, mas difícil é para se desvincular dessa rotina.

Déficit de Atenção

O constante consumo de vídeos curtos e rápidos pode prejudicar a capacidade de concentração e atenção das pessoas. A necessidade contínua de estímulos rápidos pode dificultar o foco em tarefas que exigem um tempo de atenção mais prolongado, como por exemplo, a leitura.

Consequências

O uso excessivo de redes sociais pode levar ao isolamento social. Muitas vezes, os usuários preferem interações virtuais superficiais e deixam de lado os relacionamentos face a face mais profundos e significativos. Isso pode resultar em um sentimento de solidão e desconexão.

Além disso, o vício em redes sociais pode afetar negativamente o desempenho acadêmico e profissional. A distração constante pode levar à procrastinação e à incapacidade de concluir tarefas importantes, prejudicando a produtividade.

Estratégias para Redução do Uso

Para diminuir o tempo de uso das redes sociais e vídeos curtos, é importante adotar algumas práticas saudáveis, como desativar notificações, definir horários específicos para o uso das plataformas e utilizar aplicativos de controle de tempo.

Além disso, buscar atividades off-line que proporcionem prazer e satisfação pode ajudar a equilibrar o tempo dedicado às redes sociais.

Conclusão

O vício em redes sociais e vídeos curtos é um fenômeno preocupante que afeta a saúde mental, a capacidade de atenção e as interações sociais. A atração psicológica desses vídeos e a manipulação dos algoritmos das plataformas contribuem para esse fenômeno.

É crucial que os leitores reflitam sobre seu próprio uso das redes sociais e busquem um equilíbrio saudável. Práticas conscientes e responsáveis podem ajudar a mitigar os efeitos negativos desse vício.

O futuro das redes sociais dependerá da nossa capacidade de consumir conteúdo de forma mais consciente e equilibrada. Promover um uso saudável e crítico das tecnologias é essencial para garantir um impacto positivo na nossa saúde mental e nas nossas relações sociais.


Imagem de destaque: reprodução – banco de imagens – Freepik

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