
Lívian Alves e Luiza Tomey
Há algumas semanas, o Notícias del-Rei publicou uma reportagem sobre as expectativas de fãs da cantora internacional, Taylor Swift, diante a tour que estava para ocorrer no Brasil. Passadas algumas apresentações de “The Eras Tour” em solo nacional, a reportagem retoma o assunto no portal.
Calor e resultados negativos
Na sexta-feira, dia 17 de novembro, Taylor Swift subiu no palco do Engenhão, no Rio de Janeiro, para o primeiro show da “The Eras Tour” no Brasil.
Com público aproximado de 60 mil pessoas, o evento foi marcado por muito calor, horas antes do show: os termômetros marcavam 42° nas redondezas do Estádio Nilton Santos (Engenhão).
Por conta das altas temperaturas e a proibição de entrada de garrafas de água no local do show, centenas de fãs de Taylor passaram mal, causando a superlotação dos postos de saúde do estádio.
A falta de estrutura e o calor excessivo culminaram na morte da estudante Ana Clara Benevides (23).
Segundo Daniele Menin, amiga de Ana, ela passou mal no início do show e foi encaminhada ao posto médico do estádio Engenhão.
Em nota, a T4F (Time For Fun), empresa organizadora do evento, disse que Ana Clara foi “prontamente atendida pela equipe de brigadistas e paramédicos”, e que “diante do quadro, a equipe médica optou pela transferência ao Hospital Salgado Filho” onde, depois de uma hora de atendimento, ela veio a óbito.
A Secretaria Municipal de Saúde diz que a estudante chegou ao hospital por volta de 20h50 com quadro de parada cardiorrespiratória.
Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) que saiu na última segunda (21), Ana Clara Benevides teve pequenas hemorragias nos pulmões e três paradas cardiorrespiratórias.
O laudo, no entanto, ainda não foi concluído, a Polícia Civil pediu testes toxicológicos e histopatológicos, que devem ficar prontos em 30 dias.
Homenagens à Ana
Em uma publicação no Instagram, Taylor Swift lamentou a morte da fã brasileira: “não posso acreditar que estou escrevendo essas palavras, mas é com o coração dilacerado que digo que perdemos uma fã mais cedo na noite de hoje (…) sinto essa perda profundamente, e meu coração quebrado está com sua família e amigos.”

Os fãs de Taylor Swift se uniram e fizeram uma vaquinha virtual para auxiliar a família de Ana Clara Benevides com os gastos do funeral e transporte do corpo do Rio de Janeiro para o Mato Grosso.
Além disso, os swifties organizaram uma homenagem para Ana em um telão da Times Square, em Nova Iorque. O painel luminoso tinha a foto da brasileira e os dizeres “você era maior que todo o céu” em inglês, em referência à música “Bigger The Whole Sky”.

Essa foi a mesma música que Taylor cantou no show após a morte de Ana. Apesar de não ter citado a menina, os fãs acreditam fielmente que foi um tributo a ela, já que a música fala sobre uma perda e não faz parte do setlist de músicas da The Eras Tour.
Apesar disso, Swift sofreu algumas críticas de pessoas que esperavam um posicionamento mais sensível.
Mudanças na organização do evento
Depois de todos os incidentes e a morte de Ana Benevides, a produtora do show foi bombardeada de críticas pela estrutura dos eventos e o alto valor de garrafas de água dentro do estádio.
Em nota, a T4F informou que iria disponibilizar água gratuita nas filas, entradas e em todo o interior do estádio nos shows a partir do dia 18.
A empresa também disse que: “a proibição de entrada de garrafas de água em estádios é uma exigência feita por órgãos públicos e que não realizamos a comercialização de bebidas e alimentos, sendo essa uma atribuição da administração do estádio”.
Na tarde de sábado (dia 18), a T4F comunicou o adiamento do segundo show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, devido à forte onda de calor na cidade. A apresentação foi remarcada para a última segunda-feira (20).
Feedbacks dos fãs
O Noticias del-Rei conversou com os swifties são-joanenses que foram ao Rio de Janeiro para a The Eras Tour. Eles lamentaram o descaso com os fãs e o falecimento de Ana Clara Benevides.
“As situações de irresponsabilidade com o bem estar dos fãs dentro do estádio são revoltantes”, desabafa Maria Isabela Moreira.
Mateus Guilherme conta que a notícia da morte de Ana o deixou muito assustado. “Ana poderia ser um dos meus amigos que estavam lá, poderia ser o meu amigo que desmaiou. Ana poderia ser eu“.
Maria Isabela concorda. “Em um dia estava feliz por ter visto uma artista sensacional fazendo um grande show, no outro recebo notícias de tragédias (…) que ocorreram com pessoas que estavam no mesmo local que eu e que infelizmente não tiveram a mesma sorte que eu tive de estar bem ao final do show“.
Maria e Mateus também acreditam que o calor pode ter tornado a experiência menos agradável.
Maria Isabela foi ao show do dia 17 e disse que haviam momentos em que o calor estava insuportável.
“Eu saía um pouco para a área do bar que tinha menos pessoas para tomar um ar”, comenta. Além disso, ela relata que as altas temperaturas a deixaram mais indisposta para cantar e aproveitar a apresentação.
Mateus tinha comprado ingressos para o sábado, dia 18, mas teve o show adiado para segunda. No final, ele conseguiu o ingresso para o dia 19, economizando o que seria gasto com mais uma estadia no Rio.
No entanto, conta que ficou assustado com relatos em relação ao calor dos amigos que foram no dia 17.
“Eu fui bem preparado, com muitas garrafinhas de água congelada, leque e ventilador portátil. Mas ainda assim, o calor era muito forte, principalmente dentro do estádio. Por outro lado, no domingo (…) estava bem fresco, inclusive, com uma chuva bem refrescante.”
Apesar dos pesares, boas memórias
Apesar de todos os ocorridos, a passagem da cantora norte-americana pelo Brasil também segue rendendo experiências memoráveis para ela e para os fãs.
No dia em que Taylor chegou ao Rio de Janeiro, seus fãs se mobilizaram para homenageá-la: o Cristo Redentor se iluminou com a frase “bem-vinda ao Brasil” em inglês e com os nomes dos estados brasileiros.
A arte que iluminou a estrutura foi inspirada na roupa usada por Taylor no clipe da música “You Belong With Me”.

Para que a saudação à Taylor fosse espelhada no Cristo, padre Omar – responsável pelo santuário – desafiou os swifties a arrecadarem 20 mil kits com panetone e água mineral para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os fãs da loira não decepcionaram e alcançaram a meta.
Para quem participou dos shows, os momentos foram indescritíveis. Maria Isabela relata que o show de Taylor foi ótimo: “a melhor performance artística que eu já vi na minha vida”.
Mateus também aponta que ficou deslumbrado com a apresentação da artista, que apesar de todos os perrengues e decepções, prefere focar na parte positiva.
“Foi a realização de um sonho de uma vida, sem exagero. Até agora ainda estou um pouco anestesiado, as imagens dela no palco vem na minha mente. Foi uma euforia inexplicável”.
Ele completa: “do momento em que a Sabrina (Carpenter) surgiu no palco para fazer a abertura do show até a última música, foram muitas emoções em uma intensidade que acredito não conseguir transmitir agora. (…) É uma experiência extremamente sensorial, realmente marcou muito minha vida“.

Shows em São Paulo
Nessa sexta (dia 24) e sábado (dia 25), Taylor Swift se apresentou no Allianz Parque, em São Paulo, onde também vai se apresentar nesta domingo (dia 26), data em que será finalizada essa passagem da cantora pelo Brasil.
Até o final da turnê, nos seis shows, cerca de 300 mil pessoas terão assistido as apresentações da cantora em solo brasileiro.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Mateus Guilherme – arquivo pessoal
