Bianca Andrade
Em novembro, São João del-Rei recebeu o Festival “Memória do Cavaquinho”, com apresentações no Centro Cultural UFSJ. Em sua terceira edição, o evento, que até então acontecia na cidade do Rio de Janeiro, decidiu expandir e interiorizar suas atividades, começando por Minas Gerais.
O responsável por trazer o Festival foi Pablo Araújo, cavaquinista local que viu o potencial em São João e sua diversidade cultural e artística.
Dessa maneira, ele buscou dar continuidade a iniciativa “Memória do Cavaquinho”, de Pedro Cantalice, que visa reunir o máximo possível sobre esse instrumento, tão importante para a história da música brasileira.
Os três dias contaram com artistas como Warley Henrique, Bia Nascimento, Ausier Vinícius, Pablo Araújo e muitos outros, em shows, palestras e rodas de choro.
Com isso, demonstraram a variedade de estilos que o cavaquinho pode alcançar, reunindo cavaquinistas de diversas localidades, num encontro memorável.
O Festival
O Festival surgiu a partir do projeto de pesquisa “Memória do Cavaquinho Brasileiro”, em 2022, com idealização do cavaquinista Carlos Chaves.
A primeira edição contou com um mês de apresentações, definida por Pedro Cantalice como uma edição experimental. Aquele evento contou com nomes importantes da cena, entre eles, Henrique Cazes, Wanderson Martins e Mestre Siqueira.
Já a segunda edição aconteceu em 2023, e levou mais artistas, dessa vez Luciana Rabello, grande nome feminino do cavaquinho e Jayme Vignoli, dentre outros. Dessa maneira, já apresentando além dos shows, outras atividades, como workshops. A partir daí, Pablo Araújo propôs a vinda para São João del-Rei.
Segundo Pedro Cantalice, a ideia é que o Festival alcance outros estados e mais regiões do país. No entanto, frisa que o evento deve aqui se instalar, reconhecendo que a cidade tem uma proximidade com o Rio e com a linguagem musical, e com a música em si.
Além disso, lembra que os participantes dessa edição são de diferentes cidades mineiras e avalia que São João del-Rei recebeu bem a iniciativa.
Nesse sentido, o cavaquinista destaca a tradição de cavaquinistas e do choro em São João del-Rei.
“É uma cena muito antiga […]. Quando eu cheguei em São João em 2007, eu, apaixonado por chorinho, acompanhava muito o Seu Benigno e o Seu Ivan, que são dois moradores de São João del-Rei. […] Então tem essa velha guarda ainda e tem essa juventude que ‘tá’ chegando agora na cena de choro e os lugares ‘tão’ aceitando pra tocar”, avalia.
O “Memória do Cavaquinho Brasileiro”
Além disso, Pedro Cantalice fala um pouco sobre sua atividade do “Memória do Cavaquinho Brasileiro”, que está reunindo um acervo histórico sobre esse instrumento, conquistando mais reconhecimento para composições para cavaquinho, gravações inéditas e pesquisas acadêmicas. Com isso, fomentando futuros estudos e a própria memória de uma parte essencial da cultura brasileira.
“A ideia do ‘Memória do Cavaquinho’ é ser esse portal, esse lugar de encontro do cavaquinho barsileiro. […] A gente começou com um canal do YouTube divulgando musicas e fotografias de cavaquinistas antigos, falecidos já, e depois começamos postar de cavaquinistas da velha guarda, que tão vivos, memória viva”, revela.
Considerando o Festival, a construção da memória e a reunião de artistas, ele continua: “memória, a gente ‘tá’ fazendo agora. […] A gente tem a memória do presente que a gente ‘tá’ construindo, então o pensamento é esse. E de poder agregar cada vez mais pessoas.[…] É tentar se juntar cada vez mais pra trabalhar, ‘pra’ se conhecer ‘pra’ fortalecer a cena do cavaquinho do Brasil”, reflete.
A apresentação de sábado (18), último dia do evento, de Pablo, contou com uma particularidade: o artista tocou composições do famoso compositor clássico Francisco Tárrega, que normalmente são interpretadas por violonistas. A partir disso, demonstrou também uma das possibilidades que a comunidade de músicos pode e deve explorar.
Agenda
As rodas de choro acontecem em São João del-Rei às quartas-feiras e aos sábados no bar “Alquibeer”, às quintas-feiras no “Quintal do Rosário” e aos domingos na “Taberna d’Omar”, todas as semanas.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Bianca Andrade
