Alice Trindade
Premissa
“Jogos Vorazes” foi uma das poucas adaptações dos últimos anos que encantaram o público com sua fidelidade aos fatos narrados nos livros.
Após quase dez anos do lançamento de “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”, até então último filme da saga, esse universo retorna às telas com “A cantiga dos pássaros e das serpentes“, adaptação da última obra lançada por Suzanne Collins no ano de 2020.
A trama se passa 64 anos antes do primeiro livro da trilogia original, contando a história do jovem Coriolanus Snow (Tom Blyth), futuro presidente de Panem e grande vilão do universo criado por Collins. Aqui, acompanhamos Snow enfrentando problemas financeiros devido à crise nos negócios da família desencadeada durante a rebelião do “Distrito 13”.
Órfão de pai e mãe, Coriolanus camufla junto com a avó e a prima Tigris (Hunter Schaefer) uma vida de miséria, enquanto exibe um status de herdeiro para a alta sociedade da Capital.
Em busca de conseguir dinheiro para bancar seus estudos na universidade, o protagonista vê em sua tarefa como mentor de um tributo na 10ª edição dos Jogos Vorazes uma oportunidade de ganhar a quantia da qual precisa.
Nesse contexto, somos introduzidos à Lucy Gray Baird (Rachel Zegler), tributo do distrito 12 que foi destinada à tutoria de Snow.
Altiva, hipnotizante e misteriosa, a jovem cantora torna-se uma promessa e um espetáculo exibido por Coriolanus Snow, numa época em que os jogos eram propriamente primitivos e destituídos de ampla audiência.
Crítica
Como uma recente fã do universo de “Jogos Vorazes”, nunca experienciei a sensação de assistir os primeiros filmes com tamanha emoção e ansiedade causada pela esperança de uma adaptação bem feita e digna dos livros. Dessa vez, no entanto, a espera foi grande, assim como a surpresa pelo material que foi entregue.
A cantiga dos pássaros e das serpentes se mostrou uma obra clara e fiel – tal como os filmes anteriores. A adaptação do livro para o roteiro era algo preocupante, visto que se trata de um extenso exemplar com 576 páginas. Entretanto, foi feito um bom trabalho, sendo entregue um produto satisfatório.

A escalação de atores também não foi nada menos que fenomenal. Grandes nomes como Viola Davis, interpretando a excêntrica Dra. Gaul, e Peter Dinklage, atuando como o reitor Casca Highbottom, assim como o elenco mais jovem que fez um bom trabalho.
Tom Blyth dá um show de atuação, seguindo a premissa de um jovem sedento por poder e que faz de tudo para obtê-lo, tornando-se o que mais tarde conhecemos como um líder tirânico e impassível.
Rachel Zegler consegue nos entregar uma atuação aceitável, surpreendendo, no entanto, nas cenas de cantoria, dignas de sua personagem. Hunter Schaefer também não fica para trás, interpretando a doce prima de Snow com todo seu jeito meigo e gentil.
Apesar de mais curtas, as cenas dos jogos fazem jus ao que é descrito no livro. Os momentos na arena são angustiantes, mesmo que muito da violência não seja mostrada explicitamente. Trata-se do princípio dos jogos, quando eram mais selvagens e pouco voltados para a espetacularização.

Outro ponto relevante são as diversas referências à trilogia clássica. Descobrimos a origem da canção Hanging Tree, cantada por Katniss Everdeen em “A Esperança – Parte 1“, os tordos também aparecem nesse enredo, assim como locais descritos pela protagonista no Distrito 12. Essas referências também explicam o tamanho ódio que o presidente Snow sentia por Katniss, por trazer lembranças do passado à tona.
Vale salientar que o objetivo da obra não é de nenhuma forma justificar as ações futuras de Coriolanus Snow como presidente de Panem. Desde o princípio, fica claro tanto no livro quanto no filme que sempre existiu um egoísmo dentro do personagem, sempre houve uma sede de poder o influenciando.
No final, percebemos que o mesmo homem que usou veneno de cobras para subir ao poder e comandou um ataque para dizimar um distrito inteiro estava ali desde o princípio.
Como diria o lema da família Snow, algo que é repetido constantemente ao longo do livro:
“Snow cai como a neve, sempre por cima de tudo”
Imagem de destaque: Vanity Fair/Lionsgate/Divulgação
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