
Jackeline Souza
Pela primeira vez, o grupo Batuká se apresentará na rua. O cortejo, marcado para ocorrer no Largo do Carmo, no Centro Histórico de São João del-Rei, começará às 19h30, nesta sexta (dia 10).
O “Batuká” nasceu este ano e foi idealizado por Débora Fantini e seu companheiro André Mendes. A dupla, que tinha um grupo de percussão de 2002 a 2012, chamado “Mucambo”, paralisou as atividades para que ambos pudessem focar em suas pesquisas acadêmicas que eram sobre a música afro-brasileira.
“Mucambo” era marcado principalmente pelo maracatu que surgiu no Recife e depois dos estudos, ambos começaram a se incomodar com a apropriação, por saber que deviam um respeito aos mestres, por ter uma conotação mais religiosa e não ser algo para tocar em qualquer ambiente.
Após anos parados, começaram a ver a quantidade de pessoas que se interessavam pelo batuque e então a dupla decidiu regressar porém repaginados e convidaram outro percussionista para fazer parte do projeto, o Rick Vargas. Começaram a buscar músicas que pudessem ser tocadas em ambientes mais profanos sem desrespeitar nenhuma cultura.
Como pesquisadores da área, já que o mestrado do André foi sobre o Congado e o doutorado da Débora sobre a construção da africanidade na obra e vida do Gil, eles possuem vivência na música e conhecem muito desse universo.
Por isso criaram uma escola de música popular que se chama “Arte Galpão” e juntamente com o Rick, começaram a ministrar oficinas de percussão em bloco com ênfase em músicas afro-brasileiras, além de criarem a banda “Batuká”.
Serviço
As aulas ministradas são para pessoas interessadas em música a partir dos 18 anos, leigas ou não, onde são exploradas diferentes ritmos brasileiros.
São dois anos de formação, uma aula por semana com uma hora e meia de duração e ensaios quinzenais aos sábados pela manhã.
Segundo Débora, o propósito maior é fazer e ensinar música popular brasileira tendo o afro como carro chefe. A intenção dos criadores, desde o início, é conseguir inserir no projeto bolsas para pessoas pretas, de baixa renda, poderem fazer as oficinas no próximo ano.
Atualmente, há duas turmas de alunos e a primeira delas é que irá participar da apresentação de sexta-feira (dia 10), juntamente com os criadores do projeto e convidados. Os oficineiros farão o cortejo e quatro músicas com a banda.
A apresentação
Na apresentação, a banda irá tocar os ritmos trabalhados nas oficinas e o repertório do show irá explorar clássicos como Milton Nascimento, Caetano e Alceu, mas também um pouco da música da Luedji Luna e Gilsons. Passarão por diversos ritmos como samba, baião, xote, ijexá, afoxé, sempre colocando a percussão em evidência.
A banda é formada por Vinny (voz, violão e guitarra), Felipe Gnomo (baixo), Caio Carvalho (guitarra) e Ciro Canton (voz). Além das participações de Leandro Drumont (acordeon) e Sulivan (voz).
Edição: Arthur Raposo Gomes
