ARTIGO: OS FRACASSOS DO UNIVERSO CINEMATOGRÁFICO DA DC E A SATURAÇÃO DOS FILMES DE SUPER-HERÓIS

Foto: Freepik

João Carlos de Sousa

Nas duas últimas décadas, o cinema foi tomado por um novo fenômeno que parece não querer descansar tão cedo: o de universos compartilhados. Após anos tentando emplacar seu próprio universo cinematográfico de super-heróis, a Warner não chegou nem a fazer cócegas no fenômeno que a “fórmula Marvel” se tornou, ficando para trás no que originalmente a DC Comics foi pioneira.

Mesmo hoje, sob nova coordenação, esse universo parece encontrar dificuldades de acontecer não só por um cansaço natural de filmes do gênero, mas porque parece que ninguém realmente se importa com esses filmes.

Dos três filmes lançados esse ano, todos resultaram em grandes fracassos! Inclusive, nem mesmo o famigerado “The Flash”, filme que usa e abusa de saudosismos e fan services, conseguiu chamar a atenção do público. “Shazam – A Fúria dos Deuses”, passou despercebido e o último, “Besouro Azul”, que traz no elenco nossa brasileira Bruna Marquezine, só fez algum rebuliço por aqui mesmo, e muito mais pela presença da atriz do que qualquer outra coisa.

O MCU, com sua narrativa interconectada e uma lista de personagens icônicos, liderou esse fenômeno. No entanto, é inegável que essa explosão de filmes de super-heróis levou a uma saturação perceptível, onde os estúdios parecem ter perdido, cada vez mais, seu respiro criativo em meio a quantidade.

Essa saturação talvez até explique os fracassos consecutivos dos icônicos (e me desculpem os fãs da “Casa das Idéias”, melhorem) personagens da DC nos cinemas, mas definitivamente é o menor dos fatores. 

O DCEU enfrentou dificuldades em criar uma narrativa coesa e agradar tanto aos fãs quanto aos críticos, em meio a escolhas que não estavam alinhadas com as altas expectativas do público. 

Outro aspecto que considero importante é a diversidade de abordagens dentro do gênero.

Enquanto alguns filmes da DC, como “Mulher Maravilha” e “Aquaman”, acertaram muito na suas identidades, outros, como “Esquadrão Suicida”, tiveram problemas de roteiro e tonalidade.

Essa falta de consistência na qualidade contribuiu para essa imagem negativa do DCEU. Ao contrário do MCU, que tem uma narrativa mais linear e conectada, a DC tem experimentado com diferentes estilos e diretores. Essa exploração, embora valiosa em termos de diversidade criativa, também contribuiu para a inconsistência em seus filmes.

No entanto, não acredito que tudo está perdido para meus personagens favoritos.

A indústria cinematográfica é dinâmica e a DC tem o potencial de se reinventar e criar filmes que ressoem com o público e os críticos, oferecendo uma experiência única dentro do gênero de super-heróis, tal como oferece nos games e quadrinhos.


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