ARTIGO: FALTA DE CICLOVIAS NA CIDADE COLOCA CICLISTAS EM PERIGO CONSTANTE

Róbson Melo

A questão da mobilidade urbana em São João del-Rei normalmente é debatida na ótica de veículos motorizados, principalmente sobre o funcionamento do transporte público. O fato é que a empresa licitada a operar a frota de ônibus municipais presta um mau serviço. Porém, o uso da bicicleta como transporte diário também faz parte de grande parcela da população.

Uma estimativa de 2014 apontou mais de 20 mil bicicletas em circulação naquele ano, de acordo com matéria publicada no portal G1 Zona da Mata. Isso porque São João é uma das poucas cidades históricas de Minas Gerais com uma topografia que permite o uso da bike.

Em São João é possível ir de um extremo ao outro da cidade pedalando, já que o trajeto é plano. Você consegue ir da Colônia, passar pelo centro e chegar até o Tejuco, por exemplo. No bairro Matosinhos, a mesma coisa. Já em Ouro Preto, em comparação, andar de bicicleta é quase impraticável devido a quantidade de ladeiras. 

Apesar disso, a falta de planejamento do trânsito urbano são-joanense pode transformar o pedal numa experiência bem estressante e perigosa.

São João del-Rei, um município com quase cem mil habitantes, possui apenas uma ciclofaixa na cidade toda. Como se não bastasse haver apenas uma, o estado dela é ruim, principalmente na época chuvosa em que ela fica alagada. Além disso, as ruas são estreitas e esburacadas. As obras da avenida Leite de Castro também potencializam os riscos pra quem pedala.  

A falta desse planejamento parece criar um conflito cotidiano entre motoristas e ciclistas. Motorista abre a porta do carro sem olhar no retrovisor, dificilmente dá a seta e a preferência para o ciclista. O grande fluxo de caminhões dentro da cidade também aumenta o perigo para os ciclistas.

O número de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas também é elevado. Em 2021, a ciclista Isabela Carolina faleceu após ser atropelada por um caminhão no bairro Matosinhos. De acordo com matéria publicada no portal Mais Vertentes, o motorista da carreta teria invadido a faixa da ciclista. A jovem tinha apenas 22 anos. 

A construção, ou melhor, a pintura de novas ciclovias resolveria grande parte dos problemas dos ciclistas.

O plano de mobilidade urbana, discutido desde 2014 pela prefeitura, parece não envolver a pauta dos ciclistas também.

Com todas essas questões, a impressão que fica é de que a gestão da cidade não se preocupa nem um pouco com o transporte de bicicletas.

Diferenças entre ciclovia e ciclofaixa

A primeira ciclovia do mundo foi feita em 1862, na França. A prefeitura de Paris separou um espaço específico para as bicicletas, para que estas não transitassem junto às carroças e charretes. Já a primeira ciclovia da América Latina foi feita em 1977, em Porto Alegre. 

Ciclovia é uma pista própria destinada à circulação de bicicletas, triciclos e bikes elétricas, porém separada fisicamente da pista de circulação dos automóveis motorizados. É um espaço separado por um elemento físico, como meio-fio, grade, canteiro, área verde e outros previstos na legislação. 

Já as ciclofaixas são feitas por uma faixa simplesmente delimitada com pintura e sinalizadores, como tachões e “olho de gato”, além das placas de sinalização vertical.

No manual do Denatran, a ciclofaixa é definida como “parte da pista”, calçada ou canteiro central destinado à circulação exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização viária, podendo ter piso diferenciado e ser implantada no mesmo nível da pista de rolamento, ou calçada o do canteiro. 

Além dessas existem também, em menor frequência, as ciclorrotas. A ciclorrota é um espaço compartilhado com indicações de um caminho mais seguro para os ciclistas.

Geralmente estão em vias menos movimentadas. Podem estar na calçada, no canteiro, ilha, passarela, passagem subterrânea, via de pedestres, faixa ou pista sinalizadas. Ou seja, a circulação de bicicletas é compartilhada com pedestres ou veículos. 


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