
Bruno Nézio, Gabriela Moraes e Luisa de Lucena
Saudade. Essa é a palavra que vem à mente de Haydeé ao relembrar sua infância. A sensação de aconchego e proteção associadas aos avós foi transferida para o lugar que ela chamou de lar durante – quase – toda a vida.
Localizada próxima ao “Cristo de São João”, sua vista para a cidade é privilegiada. Ao pé da estátua, lembra de brincadeiras, festas e seus primeiros amores: “foi aqui que eu dei meus primeiros beijos e fiz muitas amizades“, conta ela, para a reportagem do Notícias del-Rei.
Dona Dorvina, sua avó, cuidou desde os seus 15 anos, da ‘’casa dos prontidão’’: apelido dado aos seus bisavós por estarem sempre a postos para ajudar os amigos do bairro. Ela também criou seus filhos e netos ali e consagrou o lugar como o porto seguro da família Trindade.
Para Haydeé, essa casa tem sabor de alegria, de comida boa e muitas risadas. Ela guarda lembranças inestimáveis dos 100 anos vividos por sua avó, de seu pai sentado na pedra (preservada no mesmo local até hoje) contando histórias para ela e seus irmãos sobre a vida, chupando manga, jabuticaba, quebrando “coquinho” ou apenas admirando o lugar: que guarda uma história de muito amor e alegria, mas também de muita luta.
Afinal, quem é Haydeé?
Haydeé Aparecida começou a trabalhar aos 9 anos de idade como babá para ajudar nas despesas de casa. Aos 18, se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar com uma família tradicional de São João del-Rei.
Ali conheci amigos, colegas, aprendi, sorri, chorei, mas vivi como eu sempre imaginei. Livre, dona da minha vida, segurando minhas rédeas e guiada por Deus“
– confidencia ela, ao Notícias del-Rei.
Depois de se tornar mãe, resolveu voltar à cidade natal para dar uma infância melhor à filha e acabou engravidando novamente. Hoje, mesmo com a “vida corrida”, está prestes a se formar na graduação em História pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Até dezembro…
Morando de aluguel numa casa próxima à da família, Haydeé se vê numa situação difícil. Ela tem até dezembro para desocupar a residência.

Nessa nova casa, tenta manter a essência que aprendeu durante toda a vida: acolhimento, ajuda e portas abertas para todos ao redor.
Cenas de Haydeé sentada na varanda ou conversando com todos os seus vizinhos são normais.
Quando não está trabalhando (na maior parte das vezes, em Tiradentes) ou estudando, transforma sua casa em um lar aconchegante para todos, quem passa por perto é convidado a entrar e comer algum de seus pratos deliciosos. Incomum é o dia em que o bar da esquina está mais cheio e animado que a sua casa.
A casa da infância
Entretanto, para ela, por mais que seja uma casa muito especial, ali nunca será seu lar. Suas memórias mais tenras estão em outro lugar: a casa da sua infância, que cresceu, se estabeleceu e compreendeu seu lugar no mundo.
Isso tudo, somado ao prazo apertado, transforma a situação de Haydeé em urgente. Por isso, ela pede ajuda para reformar a antiga casa dos avós que hoje, está degradada e precisa de muitos reparos.
Ao longo dos últimos quatro anos, ela chegou a comprar e ganhar alguns materiais, mas ainda precisa de muita coisa.
O orçamento prevê um investimento inicial de aproximadamente R$ 25 mil para iniciar o conserto: esse é o valor da vaquinha criada por Haydeé.
Esse lugar nunca pode ser vendido, ou acabar. São muitas vidas e histórias vividas aqui. Assim fui crescendo, tomando amor pelo lugar e me sentindo pertencente ao legado prontidão!’’.
– reflete Haydée Trindade.
Serviço
Para acessar a campanha de financiamento coletivo “Reformando Minha Infância“, clique aqui. A doação de qualquer quantia é bem-vinda.
Caso não possa colaborar financeiramente, você pode ajudar compartilhando essa matéria, que conta a história de Haydeé ou o próprio link da “vaquinha virtual”.
Edição: Gabriel Rios
