Carolina Amaral,
Geovanna Rodrigues e Luisa Arvelos
A mulher e os cargos de liderança no mundo
Segundo um levantamento realizado pela ManpowerGroup, com 39 mil pessoas em 40 países, 47% das organizações estabeleceram o ano de 2022 como fundamental para as mulheres chegarem ao topo.
Todavia, conforme pesquisa da “Sodexo Benefícios e Incentivos”, 44% dos respondentes apontam ter menos de 25% de figuras femininas em posições de logística no local onde trabalham. Já 25% enxergam o percentual de liderança entre 25% e 50%. De acordo com 23% dos entrevistados, este volume fica entre 50% e 75% no seu ambiente laboral. Por fim, somente 8% dizem ter em sua firma um número acima de 75%.
Ainda com base no estudo, 59% dos participantes indicam não haver nenhum programa voltado para esse público na sua organização. Na verdade, apenas 24% apontam ter contato com alguma iniciativa visando elevar as oportunidades para elas e outros 15% não têm conhecimento sobre nada relacionado. Um ponto indicado é o fato de quase metade dos respondentes (47%) afirmarem não existir vagas exclusivas para elas em alto comando na sua companhia.
A mulher e a política no Brasil
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), publicada em 2022, o número de mulheres (51,1%) no Brasil é superior ao de homens (48,9%).
Essa distribuição muda quando comparamos grupos etários. Até os 24 anos de idade, por exemplo, eles são a maioria. Entre 25 a 29 anos, a proporção era similar e, a partir dos 30 anos, elas eram mais numerosas. Acima dos 60 anos essa diferença cresce ainda mais.
Tendo em vista todos esses dados, é interessante refletir sobre a participação efetiva delas no local laboral, principalmente recortando para a política. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas representam 9% dos deputados federais, 10% dos senadores e 23% dos vereadores. No Executivo, por sua vez, apenas 2% das prefeitas e 11% das governadoras são mulheres. Contudo, no município de Coronel Xavier Chaves, a presença desse público se destaca.
Campo das Vertentes em pauta:
a cidade de Coronel Xavier Chaves
O Poder Legislativo de Coronel Xavier Chaves anda na contramão do que é visto na maioria dos municípios: nas eleições municipais de 2020, quatro dos nove nomes eleitos para compor o plenário foram de mulheres. E a conquista feminina vai além das cadeiras na Câmara Municipal: no biênio 2023/2024, toda a mesa-diretora é composta por mulheres:
- Presidente: Bárbara Praia (PSDB)
- Vice-presidente: Andréia Andrade (REDE)
- Secretária: Sábatha Chaves (PV)

(Foto: arquivo pessoal / Bárbara Praia)
Para a vereadora Bárbara Praia, atual presidente da Casa, essa formação do Legislativo tem um importante papel na sociedade.
“Como mulher na política, devemos trabalhar para que as mulheres assumam o que quiserem na sociedade, inclusive os lugares ‘masculinos’ se for da vontade dela”, comenta.
Ela ainda indica a “missão” de estar ser uma mulher na política: “devemos trabalhar nas políticas públicas voltadas para que as mulheres busquem ‘conhecimento e se libertem’ de uma sombra que ainda oprime as mulheres nas suas escolhas”.
Já para a vice-presidente Andreia Andrade, essa realidade tem um papel marcante para Coronel Xavier Chaves.
“Isso é de muita importância! […] A presença de mulheres nas câmaras municipais proporciona um maior diálogo em torno de questões relacionadas a pautas femininas e um pensar mais abrangente na elaboração e aprovação de políticas públicas, pois além de mulheres, somos mães, esposas, filhas e trabalhadoras”, argumenta.
A realidade regional
A realidade oposta na maioria das Câmaras no Brasil é reflexo de preconceitos, como estereótipos de gênero, com uma visão de incompetência; violência de gênero (física, psicológica ou moral); dificuldades de conciliação da vida pessoal e profissional, pois ainda ficam com as maiores responsabilidades do lar.
Segundo Andreia, a ausência de incentivo às candidaturas femininas dificulta o acesso das mulheres a essa seara. “Isso não poderia acontecer, pois elas desempenham um papel muito importante na política brasileira […], na elaboração de políticas públicas que, de fato, interfiram positivamente na vida do cidadão”, afirma.
Perguntada se já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher, mesmo sendo presidente do Poder Legislativo local, Bárbara responde: “de certa forma sim. No tom de voz, no jeito de falar agressivo, diferente da forma que trataria os homens em uma mesma situação”.
“A representação no Campo das Vertentes não difere muito do que acontece no país, pois se a população está quase igualmente dividida entre homens e mulheres, acredito que ainda há uma sub-representação das mulheres nos espaços políticos no cenário atual”, avalia a vice-presidente da Câmara de Coronel Xavier Chaves.

“Ou seja, deveria haver mais mulheres exercendo mandatos e fazendo políticas públicas destinadas a essa parcela da população que nem sempre teve representação e, por isso, faltam políticas públicas que contemplem suas necessidades específicas”, defende ainda a vereadora Andreia Andrade.
Expectativas
No Brasil, as mulheres representam a maior parte do eleitorado, mas ainda são sub-representadas nos espaços de poder e decisão. Esse cenário vem sendo modificado com o auxílio, principalmente, da criação de uma cota de gênero para a participação das mulheres no processo eleitoral, na qual os partidos, obrigatoriamente, precisam de 30% de candidaturas femininas.
Com isso, elas têm conquistado avanços significativos em sua participação nos últimos anos, observados pelo aumento de deputadas, senadoras, vereadoras, prefeitas e governadoras eleitas nos últimos anos.
Porém, “na maioria das vezes os partidos políticos são meros cumpridores da lei. Vale lembrar que atualmente podemos observar uma importante movimentação do ‘PL Mulher’, liderado pela Michele Bolsonaro. Acredito que ela tem sido um ótimo exemplo de liderança feminina na política brasileira”, acredita Bárbara.
Ela complementa dizendo que sua proposta para promover a igualdade de gênero na política é buscar conhecimento e dar visibilidade para a atuação das mulheres na política.

Edição: Guilherme Besamat
Imagem: arquivo pessoal / Bárbara Praia
