“PROTOCOLO DE DEFESA ESCOLAR” VISA COMBATER A VIOLÊNCIA E A CULTURA DO ÓDIO NAS ESCOLAS DE SÃO JOÃO DEL-REI

Lucas Maximiano

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado recentemente, um terço de todos os ataques violentos registrados em escolas do Brasil ocorreu no ano de 2023. De acordo com o mesmo documento, “de 2002 a 2022, foram consumadas ao menos 16 ocorrências dessa natureza no país. Somam-se a elas outras sete transcorridas no presente ano, 2023″, Dentre uma série de fatores, “discursos de ódio, bullying, racismo, misoginia, intolerância étnica ou religiosa” são as principais causas de ataques violentos em escolas no Brasil.

Com a ideia de diminuir esse número preocupante, Avner Cristian, um capoeirista de 26 anos que também atua como instrutor de defesa pessoal e líder do centro de treinamento AGOGE, apresenta às escolas de São João del-Rei, o “Protocolo de Defesa Escolar.” Esse projeto foi desenvolvido com o objetivo de compreender, prevenir e responder à violência nas instituições de ensino.

O projeto tem como meta fundamental estimular a capacitação de professores e demais funcionários, destacando a importância da razão e do conhecimento da consciência como ferramentas essenciais para lidar com situações de perigo nas instituições de ensino.

Desenvolvimento de consciência e fortalecimento psicológico e emocional

Para os educadores e profissionais da escola, a importância do “Protocolo de Defesa Escolar” é inegável. Eles são, em muitos casos, os alvos primários de ataques e desempenham um papel vital na identificação de comportamentos violentos e na prevenção de tragédias semelhantes às que já foram noticiadas. A habilidade de manter a calma e agir racionalmente durante um incidente é crucial para salvar vidas.

Avner ressalta que a frieza e racionalidade necessárias podem ser alcançadas por meio do desenvolvimento de consciência e do fortalecimento psicológico e emocional. O objetivo é tornar os professores e funcionários mais resistentes psicologicamente, permitindo que tomem medidas eficazes em situações de crise.

Reconhecimento da subcultura do ódio

O Protocolo também fornece subsídios para o reconhecimento de grupos e subculturas violentas, como a subcultura do ódio, que podem estar infiltrados nas escolas.

Avner acredita que a participação dos pais na identificação de sinais, como mudanças de comportamento, roupas e linguagem, é fundamental. Isso permite que os educadores tomem medidas preventivas, alertando os pais ou autoridades e tomando ações adequadas para evitar que jovens se envolvam nessas subculturas.

Além da segurança contra ataques, o Protocolo busca evitar que jovens entrem em subculturas de ódio, como o nazismo e outras tendências ligadas ao extremismo. A conscientização sobre possíveis causas de comportamentos violentos, como falta de atenção dos pais ou assédio escolar, é fundamental para criar um ambiente escolar mais seguro e saudável.

Eu acredito que conhecendo o mal que está a nossa volta nós conseguimos nos defender de forma efetiva! Se pessoas estão dispostas a disseminar e incentivar o mal, que pessoas também devem estar dispostas a disseminar o bem e passar essa mensagem para o máximo de pessoas possíveis

– afirma Avner.

Conhecer o mal e disseminar o bem

O treinador acredita que conhecer o mal ao nosso redor é crucial para se defender eficazmente. Ele enfatiza a importância de disseminar o bem e compartilhar essa mensagem com o maior número de pessoas possível, especialmente na educação, que é a base para um futuro melhor.

O objetivo final, conforme ele explica ao Notícias del-Rei, é garantir que as crianças e adolescentes cresçam de maneira saudável e contribuam para um Brasil mais seguro e positivo.

Avner continua dedicado a estudar, se atualizar e inovar, com a convicção de que a educação é a chave para a transformação positiva do país.

Confira a entrevista na íntegra:


Edição: Arthur Raposo Gomes

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