Lívian Alves e Luiza Tomey
Do interior para a cidade grande: essa foi a jornada de Taylor Swift atrás de sua fama. A cantora nasceu em Reading, na Pensilvânia, uma cidade com um número populacional similar a São João del-Rei. Aos 14 anos, foi atrás do estrelato se mudando para Nashville, capital do Tennessee, onde assinou o contrato com sua primeira gravadora.
Taylor tem feito sucesso como nunca. O lançamento mais recente da cantora, uma regravação do álbum Speak Now, conquistou mais de 100 milhões de streams na sua estreia no Spotify e a The Eras Tour, sua turnê mundial, tem lotado estádios e esgotado ingressos em uma velocidade absurda.
Em junho de 2023, Taylor anunciou que a The Eras viria ao Brasil, com três datas anunciadas: duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Ela não vinha ao Brasil desde 2012, quando visitou o país como parte da turnê do álbum Red e promoção de sua parceria com Paula Fernandes, a versão em português da música Long Live.
Neste ano, a demanda de Taylor no Brasil cresceu absurdamente e até a compra de ingressos, disponibilizados pela produtora Time For Fun, rendeu notícias e escândalos.
Os fãs, referidos como “swifties”, enfrentaram filas enormes e uma quantidade anormal de cambistas, situação que rendeu até um Projeto de Lei, proposto pela deputada federal Simone Marquetto (MDB-SP).
Reforçando o impacto da cantora norte-americana, a parlamentar propôs instituir que a pena para a prática do cambismo chegue à até quatro anos de prisão, e que a revenda com fins lucrativos seja punida com multas.
Longa fila virtual
Segundo a revista Billboard, foram mais de 1,5 milhões de pessoas nas filas de compra on-line. Os fãs que não moravam no Rio de Janeiro ou em São Paulo só tinham essa opção e tiveram que contar com a sorte. O lugar na fila virtual era distribuído de maneira aleatória, sem ordem de chegada – ou seja, estar preparado e adiantado não garantiu a compra.
Mateus Guilherme, hoje com 22 anos, é fã de Taylor desde a infância e conta que a tensão sobre conseguir ingressos tão disputados ficou acima da felicidade pelo anúncio por um momento.
“Na verdade, eu fiquei muito ansioso. Lembro que imediatamente fui inundado pela insegurança de não conseguir comprar o ingresso. Era algo muito importante pra mim e senti muito medo de não conseguir”, relata.
Felizmente, o estudante conseguiu seu lugar para o show do Rio de Janeiro e a realidade de estar na presença da cantora está cada vez mais próxima.
Mateus não vê a hora do momento chegar: “cada dia que se aproxima minha ficha começa a cair, antes parecia tão irreal. Agora tem dias que choro fantasiando como vai ser vê-la em carne e osso.”
De São João para a cidade grande
Alguns desafios foram similares para todos os “swifties”, mas os fãs que não moram nas duas grandes capitais do país têm que pensar com gastos e dificuldades para além dos ingressos: passagens, hotéis e viagens de Uber também estão incluídas no orçamento dos viajantes.
Para quem tem parentes e amigos nas cidades, o processo tem um peso a menos. Amanda Rohrmann vai no show do dia 26 e conseguiu economizar na estadia.
“Vou para São Paulo de ônibus e lá ficarei na casa da minha amiga, então não terei gastos com hospedagem”, comemora.
No entanto, fatores externos ainda vão afetar o proveito completo do passeio: “principalmente locomoção e o cansaço de, além de ter que ficar horas na fila, fazer uma viagem longa, no meu caso, mais ou menos 10 horas de ônibus”, comenta Amanda.
Maria Isabela Moreira fez todo o planejamento junto com sua irmã, Maria Gabriela. As duas já reservaram o hotel para o show do Rio.
“Depois que conseguimos os ingressos, tínhamos como objetivo focar nessas outras questões e resolvê-las o mais rápido possível, porque com certeza esse show vai movimentar tanto o trânsito local, quanto a disponibilidade de quartos em hotéis que estejam mais próximos ao Estádio Nilton Santos”, relata Maria Isabela. Ela reforça: “Se planejar bem é essencial nesse tipo de evento.”
Maria tem costume de viajar para cidades grandes para visitar a família, mas a realidade das capitais podem ser um desafio para quem não tem esse hábito. É o caso de Mateus Guilherme, que se sente inseguro quanto à viagem ao show.
“O que mais me preocupa, e acredito ser uma grande dificuldade, é o conhecimento da dinâmica da cidade. Como funciona o metrô? Qual a distância dos lugares? Será que vou ser roubado?”, ele ressalta, destacando que esses fatores não serão “ameaça” para os moradores do Rio.
No pior dos casos, Mateus tem companhia: “Irei ficar em um AIRBNB com mais 5 amigos, que já terminei de pagar. Já a passagem, vou de ônibus, consegui um desconto muito bom através do ID Jovem“.
Preparações emocionais
Os shows de artistas internacionais são atravessados por diversos rituais organizados pelos fãs, que se iniciam lá fora e mantêm o processo aqui no Brasil. A grande tradição da The Eras Tour tem sido a troca de pulseiras da amizade pelos “swifties”, que contém palavras e acrônimos relacionados a Taylor Swift e suas canções.

Junto das pulseiras, as roupas e fantasias também são essenciais no planejamento. De merchandising até as vestimentas mais chamativas possíveis, não tem como comparecer no show sem pensar nessa etapa.
Mateus frisa quanto a importância do look certo para o momento: “comprei miçangas para fazer as pulseiras e estou com uma roupa em mente, mas inseguro se é a melhor opção, mas já começo a me pressionar pra decidir logo pois estou preocupado com o tempo de entrega”.
“Já tenho minha roupa pronta, já que não parei de pensar nela desde o minuto que consegui o ingresso”, revela Maria Isabela.
Mais do que adiantada, ela está muito ansiosa para o dia do evento. “Já confeccionei muitas pulseirinhas da amizade com os títulos das minhas músicas favoritas para trocar no show.”
Amanda também já está com tudo em dia: “Entrei na onda de fazer as friendship bracelets para trocar no dia do show e já estou planejando a roupa há meses também“.
Memória afetiva: qual é o motivo do sucesso de Taylor?
Taylor Swift teve momentos difíceis na carreira. Entre cancelamentos e ondas de ódio, ela surpreendeu muitos ao se tornar a artista mais querida da década, acumulando mais de 100 milhões de streams mensais no Spotify.
As emoções em torno de Taylor se formam desde cedo para quem acompanhou suas eras. “Desde criança, eu sempre gostei muito da Taylor Swift. Me lembro até hoje de pesquisar ‘tailor swift’ no YouTube e tentar cantar as letras de Bad Blood e Shake It Off, minhas músicas favoritas na época, junto com a minha irmã”, revela Maria Isabela.
“A Taylor foi muito presente no meu processo de descoberta como LGBT. Durante o ensino médio, sentia vergonha dos meus gostos, pois não eram parecidos com o dos meninos e lembro como era libertador pra mim ouvir o (álbum) 1989 escondido em casa”, conta Mateus.
Para ele, Taylor se tornou eterna parte de sua memória. “Hoje em dia sinto um afeto pela Taylor que vai além da admiração e da identificação, ela fez parte da minha história e minhas memórias, tristes, felizes ou românticas são sempre acompanhadas por sua trilha sonora.”
Serviço
Para os fãs de São João del-Rei que não vão conseguir ver a loira de pertinho, vale ficar de olho no lançamento do filme documentário da The Eras, com data de estreia no Brasil prevista para 3 de novembro.
Ainda não há previsão para exibição do filme no Cine Glória, já que, inicialmente, o filme só vai ser enviado para os cinemas das capitais.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: The Eras Tour / Foto: Paolo V. – reprodução
