CRÔNICA: AS ESTRELAS ALÉM DA FAMA

Foto: Pedro Garbo

Bruno Nézio Ribeiro da Cunha

Em um ambiente de muita troca cultural e social, existe um novo evento. Os já conhecidos “forró”, brechós, bares e rodas de capoeira ganharam um novo parceiro: a exibição de filmes por meio de um projetor no espaço aberto. O evento idealizado pelo projeto de extensão da UFSJ, “ECOS”, trás uma nova perspectiva democrática ao acesso à arte.

Diversas famílias, crianças e populares se reúnem na frente de uma parede e assistem a uma história como se estivessem em uma sala de cinema. A magia do ambiente escuro é transportada para as luzes das estrelas e da lua as quais iluminam um ambiente repleto de risadas e emoções.

Em um domingo recente, uma exibição focada para o público infantil fez com que crianças sentissem – muitas, pela primeira vez – o poder de uma história apresentada por um facho de luz que representa a possibilidade conhecer um mundo que poderia nunca ser explorado pela pessoa.

Culturas, línguas, costumes e diferentes formas de interação são ensinados de maneira lúdica pelo cinema, o primeiro contato sempre é muito importante e a possibilidade desse encontro existir, fundamental.

Quando as pessoas passam e veem uma exibição pública, em um domingo à noite, em uma das ruas mais movimentadas da cidade, nasce um consciente coletivo sobre como aquilo pertence à população.

Cinemas de rua, e até mesmo das redes em shoppings, são importantes para a criação e manutenção de público, entretanto o mesmo não pode ser a única possibilidade. Preços e impossibilidade de deslocamento transformam uma atividade tão fundamental no desenvolvimento de uma pessoa, uma forma elitizada de consumo.

Filmes sobre a experiência infantil com o cinema não são poucos: alguns dos mais populares, “Cinema Paradiso”, demonstram de maneira bela e potente o impacto do mesmo na vida de uma cidade inteira, mas principalmente de um menino que vê naquelas histórias  a potência formadora de diferentes relatos na sua vida pessoal.

Muitos foram os momentos em que se olhava nos olhos de uma criança e o brilho da “tela” refletia, porém não era esse o principal foco de luz que era demonstrado.

O brilho do novo, das possibilidades se expandindo da forma como um novo mundo é demonstrado diante dos olhos de uma pessoa em que aquilo tudo parece ser real, onde a inocência é transformada em possibilidade e tudo o que pode ser para muitos uma simples história boba, se transforma em uma nova forma de entender o mundo.


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