Guilherme Besamat
As altas temperaturas registradas em São João del-Rei e outras cidades do Campo das Vertentes têm ampliado a falta de umidade no ar. O Instituto Nacional de Metereologia (Imet) chegou a colocar o município em uma “lista de perigo” por causa dessa onda de calor. A situação piora com os incêndios que têm sido registrados nos últimos dias.
Na última terça (dia 19), moradores do povoado da Trindade, na Serra do Lenheiro, amanheceram com um incêndio já em grandes proporções: estima-se que, em apenas uma propriedade local, foram queimados 10 hectares de terra (ou seja, 100 mil metros quadrados).
Moradores, brigadistas e voluntários chegaram a se unir no combate as chamas, buscando reduzir, ao máximo, os dados nas áreas. A reportagem do Notícias del-Rei esteve no local e acompanhou as ações.
Causa de incêndios
Segundo o brigadista voluntário da Brigada 1 – Núcleo de São João del-Rei, Geraldo Roberto, a maioria dos incêndios, em todo o mundo, é causada por ações de terceiros: “fogos de artifício, balões, fogueiras, vandalismo, acidentes com fiações elétricas e práticas religiosas que utilizam fogo próximo as vegetações”, elenca.
Ele recorda que, para iniciar o fogo, três elementos são necessários: matérias e substâncias inflamáveis, oxigênio e calor.
“Além disso, há outros três elementos que influenciam diretamente o comportamento do fogo, que são: relevo, fatores climáticos e vegetação, que devem ser analisados o tempo todo durante o período crítico dos incêndios florestais, que em Minas Gerais compreende os meses de maio a outubro, e durante qualquer operação de combate”, discorre. O período de aumento do calor em São João del-Rei, associado aos ventos fortes, favorece a propagação do fogo, sendo agravado pela topografia inclinada característica da região.
A prevenção
Para a vice-presidente da ONG Brigada 1 – Combate Voluntário a Incêndios Florestais, Ana Carina Roque, existe um conjunto de ações que podem reduzir ou anular a probabilidade de início e propagação do incêndio.
“A prevenção aos incêndios florestais pode ser realizada com as seguintes práticas: ações de educação ambiental e conscientização da população, elaboração e aplicação de uma legislação efetiva e medidas coercitivas, monitoramento das áreas prioritárias para a conservação e regiões com maiores incidências de focos de incêndios e manejo do fogo”, defende.
“Estou vendo um incêndio florestal. E agora?”
Ao Notícias del-Rei, a entrevistada explica as orientações para quem preseniar um incêndio florestal. Confira!
- Ligar para o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Esse contato vai gerar um registro de ocorrência, gerando a possibilidade de serem acionadas instituições parceiras da corporação, tal como as brigadas voluntárias.
- Caso o incêndio esteja em uma unidade de conservação estadual, ou próxima a ela, o contato é pelo telefone 0800 283 2323.
Consciência
“Lembrando que nenhum cidadão deve tentar controlar ou apagar um incêndio, caso não possua treinamento, equipamentos e uniformes próprios para esse tipo de atividade, uma vez que é uma atividade extremamente perigosa”, recomenda Ana Carina.
Ela ainda considera que o “cidadão consciente (é aquele que) utiliza práticas agrícolas sem o uso do fogo, em período de seca prolongada; […] destina corretamente o lixo e resto de podas; não joga guimbas de cigarros sobre vegetação; (e) evita fazer fogueiras próximo às áreas verdes […]”, enumera.
Imagem de destaque: Guilherme Besamat
Edição: Arthur Raposo Gomes


