Andreza Siqueira e Gabriela Gomes
A população de São João del-Rei sofre com a qualidade do transporte público. A falta de horários, itinerários e atrasos são alguns dos problemas enfrentados diariamente por quem precisa utilizar os ônibus.
Devido aos empecilhos no uso da condução, os moradores optam por meios alternativos para chegarem aos seus destinos. O preço e a mobilidade rápida são fatores importantes para a escolha: normalmente, os mototáxis são as opções mais acessíveis. No entanto, a rotina de mototaxistas nem sempre é fácil, embora muitos lidem com dinamismo nesta rotina imprevisível.
O drama cotidiano do passageiro sempre é assunto – e de fato é extremamente necessário. Porém, as vivências dos pilotos de transporte alternativo nem sempre são lembradas.
A reportagem do Notícias del-Rei iniciou a conversa de maneira devagar, para contornar a timidez dos mototaxistas. Após poucos minutos, todos quiseram opinar sobre a função de levar pessoas de lá pra cá.
Com pequenos fragmentos de histórias entendemos que ser mototáxi é juntar o amor pela moto com a necessidade de sobreviver.
Maurílio Alves
O despertador toca dando início ao novo dia. A rua sintetiza muito bem as necessidades diárias. Ela não tem razão, não existe caminho certo, tudo é possibilidade. Ir hoje ou amanhã não fica entre o bom e o ruim. Tudo é escolha, sem julgamento. A história aqui é uma, lá é outra e as duas rotas coexistem pacificamente. Mas, na estrada, a perspectiva muda junto com o endereço. Porque tudo é uma verdade local e, de esquina em esquina é criada uma rota para descobrir a imprevisibilidade da vida.
A questão é que o trânsito nunca é previsível. O mototaxista Maurílio Alves de Oliveira (foto de destaque), atua há 23 anos na área, porém é pela falta de oportunidades.
A necessidade de sustentar a si mesmo e a família, o faz seguir em frente, mesmo após sofrer um assalto. Segundo ele, “tem que levantar a cabeça, bater poeira e continuar”.
Luiz Rezende
O sorriso do senhor Luiz Rezende antecedeu uma longa conversa sobre os meses contados para a aposentadoria. A trajetória de 26 anos no ponto de moto táxi e o coleguismo com os companheiros de trabalho ressaltou o gosto pela profissão.

Não se pode admitir o medo, apesar de acidentes e quedas, porque o medo paralisa. E circular nas ruas, nos bairros e na cidade requer coragem.
José de Paiva
José de Paiva também está no processo de aposentadoria, ele trabalha no mesmo ponto próximo a rodoviária há 7 anos.
O amor pela profissão também vem carregado com preocupações, o medo de novos acidentes, receios pelos assaltos.

José lembra a época da pandemia de Covid-19. “Um amigo nosso ficou internado, mas a gente precisava continuar trabalhando”. Apesar disso, ele ressaltou que desistir nunca foi uma opção.
Ricardo Rezende
No ponto de mototáxi do bairro Matosinhos, a amizade e o companheirismo entre os colegas de profissão é destacada por Ricardo Rezende, ele contou que a maioria trabalha no mesmo local há mais de 10 anos, inclusive ele.

Com 38 anos de idade, Ricardo já acumula 18 anos atuando profissionalmente no mesmo ambiente. O gosto por motocicletas vem desde novo, e por isso ele destacou que gosta bastante da sua profissão.
Roney Castanheira
Muitos nem sempre trabalharam somente como mototaxista, Roney Castanheira também já trabalhou na roça por muitos anos, a experiência com diversas atividades faz com que o modo de lidar com o cliente seja diferente.

Para ele, poder ser o próprio chefe é um dos fatores que faz com que ele valorize a sua profissão.
Geraldo Sousa
A saúde e a idade são questões relevantes na hora de escolher o tipo de serviço para trabalhar. Geraldo Sousa relatou que pelos problemas no joelho, ele precisa ter menos impacto no dia a dia. Apesar disso, os acontecimentos durante a corrida agitam o dia, e faz com que cada dia seja único.
“Cada dia uma história nova. Acontece muita coisa engraçada. Uma vez esqueci o passageiro, dei o capacete, saí e voltei. Às vezes, aquela ansiedade para sair é enorme, a pessoa encosta na moto e a gente acha que já subiu. Anda alguns quilômetros sem perceber que o passageiro não está lá atrás “, contou o mototaxista.
A necessidade de chegar em compromissos, trabalho, aula, comemorações, entre outros, os mototaxistas são essenciais para uma locomoção rápida.

Eles cumprem um papel importante na sociedade, principalmente em São João del-Rei, no qual esse transporte é sempre utilizado pela a população, mas nem sempre os profissionais são notados. São eles que fazem a conexão de momentos. Momentos que, minutos a mais, se perderiam no além.
Edição: Ayla Yassuda e Arthur Raposo Gomes
Apoio: Joyce Helena Tanus
Imagem de destaque: Bráulio Nolasco
