COLETIVOS MUSICAIS APONTAM FALTA DE INCENTIVO PÚBLICO; SECRETÁRIO DE SJDR DEFENDE PROJETOS

Luis Felipe Seufitelli e Maria Paula Santiago

Apesar de exercerem um papel fundamental na formação cultural da cidade, grupos musicais ligados a regiões periféricas se sentem desassistidos em relação ao Poder Público.

A banda “Music Brothers” é um dos projetos musicais que realizam seus trabalhos em regiões afastadas do centro comercial de São João del-Rei: os membros ensaiam no bairro Senhor dos Montes.

O presidente do grupo musical, Rafael Rodrigues, enxerga uma falta de interesse por parte do Poder Público em apoiar projetos musicais independentes.

“Já fomos convidados para fazer apresentações para a própria prefeitura! Mas não disponibilizaram transporte ou um lanche para as crianças, o que inviabilizou a nossa participação”

– relata.

O presidente afirma que a banda recorreu aos setores competentes da prefeitura para participarem de uma competição em outra cidade, mas também não obtiveram os recursos necessários. 

Busca por recursos para competição

O projeto Music Brothers” foi fundado em fevereiro de 2018. Com o apoio do maestro Glauter Martins, parceiro de longa data do presidente Rafael, os amigos formaram um pequeno grupo de músicos, investindo dinheiro dos próprios bolsos.

No decorrer dos anos, outras parcerias foram firmadas e a iniciativa alcançou bons frutos. O coletivo ensina pessoas de diferentes faixas etárias a tocarem instrumentos de sopro e percussão e é composto por um corpo coreográfico. “O diferencial do projeto é o espírito de coletividade”, afirma Rafael.

Banda tem atividades no bairro Senhor dos Montes. (Foto: arquivo pessoal)

Atualmente, a banda busca recursos financeiros para arcar com os custos da viagem até Botelhos, município localizado no sul de Minas Gerais, onde será realizado o próximo Campeonato Estadual, no dia 8 de outubro.

Ocupar o centro é importante, mas a presença na periferia também é

Dentre os vários movimentos artísticos, a “Batalha da Estação”, por exemplo, busca propagar comunicação e interação, entre as comunidades na Praça da Estação, por meio do rap e manifestações artísticas de rua. 

Registro de uma das edições da Batalha da Estação. (Foto: Reprodução/Instagram)

Para um dos organizadores, João Vitor Costa, a relevância do projeto consiste em trazer perspectiva de futuro para os membros do movimento, principalmente aqueles que têm os sonhos inibidos ou dificultados.

Ele ainda defende que é necessário que ocorra uma desburocratização das políticas públicas de incentivo à cultura, além da criação de espaços culturais adequados para ensaios e apresentações.

“Ocupar o centro (da cidade) é importante, mas enquanto movimento social, é preciso se fazer presente em todos os espaços urbanos, sobretudo na periferia”

– afirma João Vitor.

Secretário menciona esforço

Ao Notícias del-Rei, o secretário de Cultura e Turismo de São João del-Rei, Marcus Fróis, aponta que a administração municipal se esforça para preservar a herança histórica, considerando ainda a diversidade cultural da cidade.

Ele reflete que é importante que esses artistas se apresentem em diversos espaços, uma vez que suas produções fazem parte da identidade do município.

“Para os artistas, é mais relevante ainda, pois muitos carregam isso pelas tradições familiares e por necessidades da própria alma”, completa o secretário.

Marcus, ou Marquinhos como também é conhecido, relembra ainda que, com o intuito de valorizar os grupos artísticos, há alguns anos, foram realizados registros do patrimônio imaterial da cidade junto ao Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), quando foram repassados R$300 mil para as instituições de registro.

Atualmente, ainda segundo o secretário, “um projeto denominado ‘Música no Coreto’ foi aprovado pelo Conselho de Turismo e cerca de R$30 mil foi repassado para a associação de músicos”.

Estamos tentando trazer tradições à torna, como congado, capoeira, folias e mostrando para a população que isso tudo está vivo na cidade”, defende o secretário.


Edição: Ayla Yassuda e Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: divulgação / Ascom

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